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Santos celebra 15 anos do ‘Faixa Viva’, mas conceito é contestado


Amarelo é a cor que identifica maio como o mês da mobilização do poder público e sociedade por um trânsito mais seguro e pacífico – o lema da campanha este ano é “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”. Vários municípios da região realizam ações de orientação e educação no trânsito, envolvendo motoristas, pedestres e crianças e jovens estudantes.

Em Cubatão, por exemplo, a Prefeitura realiza ações em vários pontos da cidade desde o dia 7, com programação que inclui intervenções artísticas e distribuição de material educativo.

Em Santos, além de atividades de orientação, a Administração Municipal celebra 15 anos da campanha Faixa Viva e comemora o fato de que, até segunda-feira (11), o número de veículos com o selo da campanha pelo respeito à vida era de 10.152. “A Faixa Viva é mais do que uma campanha educativa. Representa um compromisso coletivo com o respeito ao próximo e com a preservação da vida. Completar 15 anos e alcançar mais de 10 mil veículos adesivados demonstra que a população compreende a importância desse comportamento seguro e cidadão no trânsito”, destaca o presidente da Companhia de Engrenharia de Trânsito (CET-Santos), Antonio Carlos Silva Gonçalves.

Apesar do suposto sucesso, a Faixa Viva tem gerado polêmica, reforçada após a morte do jovem Kaique da Conceição Muniz, de 15 anos, no dia 22 de março, atropelado ao atravessar sobre uma dessas faixas – dois carros pararam; o terceiro não.

EQUÍVOCO

“O conceito de Faixa Viva é um equívoco. Está errado. Dá a impressão que só precisa parar nessas faixas. O Código Nacional de Trânsito determina que é para parar diante de uma faixa para pedestres. É lei e ninguém respeita”, afirma Elias Carneiro Júnior, funcionário público federal aposentado. Ele tem defendido que toda a sociedade – “e não só a municipalidade” – se una em defesa do cumprimento da lei e de ações eficazes.

“É preciso autuar os motoristas, inclusive taxista e condutores de ônibus que não respeitam. Ter agentes em pontos variados, fortalecer a lei com relação a todas as travessias e ter campanhas eficientes, não apenas com banners e informações que duram dois dias no local. E o Ministério Público também precisa se manifestar”, afirma Elias Carneiro Jr., que foi vítima de acidente, há três anos. “Parei na faixa, respeitando a lei, o carro veio e bateu na traseira da minha moto”.

Ele diz que chegou a conversar com o presidente da CET-Santos, em dezembro de 2024, sugerindo encontros para discutir ideias e soluções, mas não obteve mais retorno. A CET explica que reformulou a campanha com o objetivo de ampliar o engajamento da sociedade e que a afixação do selo ocorre durante pedágios educativos, após autorização prévia do motorista. De acordo com a companhia, ao aceitar a adesivagem, “o motorista demonstra compromisso com a segurança do próximo — e também com a sua própria —, além de reconhecer a prioridade do pedestre nas travessias sinalizadas sem semáforo. Ao avistar uma Faixa Viva, o condutor deve reduzir gradualmente a velocidade para conseguir parar totalmente o veículo com segurança antes da travessia”.

A CET-Santos afirma que o trabalho de divulgação e orientação sobre a Faixa Viva é tema obrigatório em todas as atividades educativas promovidas pela empresa, com pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas, envolvendo todas as faixas etárias. Os pedestres também recebem orientações sobre o comportamento seguro na Faixa Viva: ainda na calçada, devem estender o braço para sinalizar ao motorista a intenção de atravessar a via. A travessia só deve começar após a confirmação de que todos os veículos realmente pararem.

Elias Carneiro Jr. insiste que é necessário fazer cumprir a lei em todas as faixas de travessia. “Temos que nos unir e evitar o que ocorreu em Brasília, onde muita gente precisou morrer atropelada até que se passasse a respeitar a lei. Lá, houve muita multa. Hoje, a faixa é respeitada pelos motoristas”.



Fonte: Jornal Da Orla

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