A Polícia Federal (PF) apontou o empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, como “demandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo “A Turma'”. A informação é da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça desta quinta-feira (14), que autorizou a sexta fase da operação Compliance Zero.
De acordo com o documento, Henrique articulava a obtenção de informações sigilosas da Polícia Federal (PF), em uma operação liderada pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Durante as operações do grupo, a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva teria acessado indevidamente inquéritos para enviar informações à organização criminosa.
Um dos exemplos citados é a tentativa de Henrique de acessar um inquérito para o qual foi intimado a depor. Após o pedido, Marilson diz ao pai de Vorcaro que “um parceiro vai encontrar comigo aqui e vai trazer uma sucinta aqui”.
“Esse episódio reforça, em tese, que a estrutura clandestina mobilizada por
Marilson e pela ‘Turma’ não atuava apenas para intimidação ou cobrança, mas também para obter informações sigilosas sobre investigações de interesse direto de Henrique, o que amplia significativamente a gravidade de sua vinculação ao grupo”, entende Mendonça.
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Delegada foi afastada
Valéria foi afastada da função e não pode se comunicar com outros integrantes da corporação. Seu marido, o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva, também teria participado do repasse das informações.
As conversas extraídas do celular de Henrique Vorcaro revelaram que o esquema continuou mesmo após a deflagração da primeira fase da Compliance Zero. Nos diálogos, Henrique sinaliza que enviaria R$ 400 mil a Marilson, mas o policial pede que o repasse seja maior, de R$ 800 mil.
“Com base nesse diálogo, a Polícia Federal extrai a conclusão de que Henrique exercia, de maneira clara, o papel de destinador de recursos para o financiamento da “Turma”, sendo o valor de R$ 400.000,00 compatível com a quantia que, segundo as investigações, era destinada mensalmente à manutenção do grupo, em pagamentos que seriam feitos também por Fabiano Zettel”, diz a decisão.
Os crimes teriam atuação concentrada no município de Angra dos Reis (RJ). De acordo com Mendonça, “a autoridade policial ainda acrescenta ser plausível inferir que esse braço local é formado por operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais”.
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“Os meninos”
Além do núcleo denominado “A Turma”, a organização criminosa também agiria em ofensivas digitais, por meio de um conjunto de hackers chamado de “Os Meninos”. O grupo era liderado por David Henrique Alves, que recebia pagamentos mensais de R$ 35 mil de Filipe Mourão, o “Sicário”, por meio da empresa Bipe Software Brasil Ltda.
“A imputação é precisa ao situar David como responsável pela célula que viabilizava, no plano digital, aquilo que ‘A Turma’ fazia no plano presencial: neutralizar, intimidar, constranger ou vigiar alvos de interesse da organização. Isso confere especial gravidade à sua posição, pois indica atuação voltada não apenas à proteção passiva do grupo, mas à sua capacidade ofensiva e retaliatória em ambiente virtual”, relata.
O grupo atuaria para invadir, derrubar perfis e monitorar opositores aos negócios do grupo, além de operar a destruição de provas. Um dos indícios foi um flagrante das autoridades: em março de 2026, David estaria no que parecia ser uma tentativa de fuga, conduzindo um veículo de “Sicário” carregado de notebooks, caixas e malas.
Fonte: Revista Oeste


