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‘Linguagem Simples’ facilita comunicação e acesso à informação


Utilizar desenho associado a uma frase curta ou a uma única palavra; comunicar-se com vocabulários de uso comum, facilmente compreensíveis; usar aplicativos com ícones grandes, descrição sonora. Esses são alguns recursos da chamada Linguagem Simples, cujo objetivo é fazer com que a informação chegue para o maior número de pessoas possível.

“É uma técnica inclusiva que pode ser aplicada tanto com pessoas com deficiência, ou neurodivergências, quanto com idosos com perdas cognitivas, ou com pessoas que têm baixo letramento, ou mesmo com imigrantes que estão se familiarizando com o idioma. É para facilitar a comunicação e, consequentemente, a inclusão”, explica a assistente social Juliana Barica Righini, que trabalha há 15 anos com pessoas com deficiência intelectual, em São Paulo. “São recursos que podem colaborar com as pessoas para melhor participação na sociedade. Então, tem trabalho, mediação e comunicação que aprofundei na questão da linguagem simples e da leitura fácil”.

Colaboradora do Instituto Caleidoscópio, Juliana Righini esteve em Santos para participar do 3º Seminário de Neurodiversidade e Políticas Públicas, promovido no início de abril pela Universidade Católica de Santos (UniSantos) e a organização IN Movimento Inclusivo, em interlocução com a Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência. A especialista ressalta que o desafio é fazer as pessoas acreditarem na potência da pessoa com deficiência ou neurodivergente. “Quando você oferta recursos que favorecem a participação dessas pessoas, você tem ganhos como sociedade. Você pode ter uma pessoa trabalhando melhor, estudando melhor, melhorando a própria vida e a da sociedade”.

Durante a apresentação do Caleidoscópio no seminário, o vice-presidente do instituto, Cauê Talarico, apresentou o filho João Pedro, autista nível 3, que se comunica por intermédio de um aplicativo no tablet, com base em conceitos da Linguagem Simples.

Para Juliana Righini, é preciso olhar e entender quem é a pessoa com a qual estou me comunicando, qual a condição de deficiência ela apresenta e o que pode ser oferecido para garantir desenvolvimento social. Ela destaca a importância da formação profissional, mas faz ressalvas: “A escola não está com barreiras somente no atendimento à pessoa com deficiência. Ela enfrenta dificuldades para se modernizar com relação à tecnologia, às diferenças que há dentro das famílias. Então, a inclusão da pessoa com deficiência é mais um desafio para o qual ela precisa olhar”, afirma.

O que falta – ressalta Juliana Righini – é a atenção ao outro. “Na escola, empresa, família, na sociedade como um todo, a gente vê essa dificuldade. E não se desafia de verdade a olhar para a pessoa que está à sua frente, que quer e tem potencial para aprender. Formar instrutor, professor, pai, gestor, enfim, formação é super importante. Mas existe muita formação e pouca iniciativa. Falta o desejo de realizar, de olhar para o outro e se interessar por ele. Esse é um grande impasse”, complementa.

PLANO NACIONAL
O professor Marcos Medina, ex-reitor da UniSantos e associado da IN Movimento Inclusivo, destaca a presença da secretária Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Nascimento, na abertura do seminário. “Ela apresentou o Plano Nacional Novo Viver Sem Limite, um conjunto de ações interministeriais e interfederativas para assegurar os direitos da pessoa com deficiência. É preciso reconhecer que essas pessoas têm potenciais, condições e direitos. Precisam integrar-se à vida social plena”, afirma.

Medina ressalta a importância do seminário para essa luta. “Precisamos discutir e agir para garantir políticas públicas, vencer o capacitismo, o preconceito. Uma cidade inclusiva é uma cidade em que todas as pessoas sejam chamadas às suas plenitudes de direito, participação, engajamento, trabalho, moradia”.



Fonte: Jornal Da Orla

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