O regime islâmico do Irã executou nesta segunda-feira (25) Abbas Akbari Feizabadi, um cidadão iraniano acusado pelas autoridades de ter atuado como um dos líderes dos protestos registrados em janeiro na cidade de Nain, na província de Isfahan.
Segundo a agência Mizan, ligada ao Judiciário iraniano, Feizabadi foi condenado por acusações como “moharebeh”, termo usado pelo regime para se referir a “guerra contra Deus”, além de destruição deliberada de patrimônio público, perturbação da ordem e conspiração contra a segurança interna do país.
Feizabadi, segundo disse a ditadura islâmica, teria participado de “ataques contra a sede do governo local, centros de segurança e agentes das forças de segurança”. A acusação afirma ainda que ele “apareceu armado nas ruas”, portando uma pistola, e “abriu fogo” durante os protestos em Nain.
A sentença de morte contra Feizabadi foi confirmada pela Suprema Corte do Irã, que alegou não ter “encontrado falhas no processo”. Segundo informou a Mizan, a condenação teria sido “baseada em documentos, provas e declarações atribuídas ao próprio acusado”.
Entidades de direitos humanos, porém, afirmam que casos envolvendo acusações políticas e de segurança nacional no Irã costumam ser marcados por denúncias de confissões forçadas, tortura, restrição ao acesso a advogados privados e independentes e falta de garantias de julgamento justo.
Segundo a organização Iran Human Rights, Feizabadi foi o 15º manifestante executado em ligação com os protestos ocorridos no começo deste ano no Irã. A entidade afirma que ao menos 38 presos condenados por acusações políticas ou de segurança foram executados pelo regime islâmico desde 18 de março.
O diretor da organização, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou que o objetivo principal dessas execuções é espalhar medo na sociedade e impedir novos protestos. Segundo ele, o regime iraniano usa a pena de morte como instrumento de intimidação para se manter no poder.
O Conselho Nacional de Resistência do Irã, organização opositora no exterior, também condenou a execução de Feizabadi. Maryam Rajavi, presidente eleita do grupo opositor, afirmou que o povo iraniano “não perdoará nem esquecerá” os responsáveis pelas execuções e voltou a pedir que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condene a prática. A execução de Feizabadi ocorre em meio a uma onda repressiva no Irã após os protestos de janeiro.
Fonte: Revista Oeste


