Termina neste sábado (16) o 2º Encontro das Cidades ODS, no Parque Valongo, no Centro de Santos. Na programação, a partir das 9h30, apresentações de experiências locais, debates, feiras, exposições artísticas e de artesanatos, todas iniciativas relacionadas com as metas globais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a Agenda 2030 proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU). A entrada é gratuita.
Os dois painéis de abertura do evento, na manhã desta sexta-feira (15), contaram com representantes do Governo Federal e de municípios da região (Santos e Cubatão) e de Francisco Morato (Grande São Paulo) e Vitória da Conquista (Bahia).
Lavito Bacarissa, secretário-executivo da Comissão para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Presidência da República, comentou sobre o processo de restauração das ações, depois de ter sido extinto pelo governo anterior, em 2019. “Por esse motivo, a agenda tem urgência. Retomamos a governança e a comissão nacional tem o propósito de avançar na implementação da agenda no Brasil. É importante dizer que, ainda que seja um pacto global, é uma agenda que só ganha materialidade em nível local. Por isso, a experiência de Santos é uma que a gente quer tornar referência, divulgar para o Brasil inteiro”, afirmou.
A representante nacional do Programa Cidades Sustentáveis, Zuleika Goulart, destacou a importância dos municípios para envolver a sociedade e colocar em prática os ODS – são 17 metas globais, o Brasil incluiu a 18ª, que está relacionada ao respeito à equidade racial e ao combate ao racismo. De acordo com ela, 380 cidades – entre elas, 17 capitais – são signatárias do programa. “São temas que dizem respeito ao dia a dia das pessoas e é importante que prefeitos e prefeitas alinhem suas políticas públicas às metas das ODS”.
Representando a Caixa Econômica Federal, Cássio Richter Jr., do selo sustentabilidade que certifica práticas alinhadas com os ODS e pode facilitar acesso a recursos, inclusive externos.
EXPERIÊNCIAS LOCAIS
A vice-prefeita e secretária de Educação de Santos, Audrey Kleys (PSD), afirmou que sustentabilidade trabalha com transversalidade e destacou o pioneirismo santista na busca pelos ODS. Audrey centrou sua participação na área da educação e as interconexões com outros segmentos. Citou a lei municipal de cultura oceânica (Nº 3.935/2021) – “a primeira no mundo” – e a projeto de inclusão dos ODS no currículo da rede municipal, que deve ser enviado em breve à Câmara.
Andreia de Castro, vice-prefeita e secretária de Habitação de Cubatão, citou as diversas ações que transformaram o município, antes conhecido como “vale da morte” (anos 1980), em exemplo em iniciativas de sustentabilidade – foi a única Prefeitura da região a ter um painel na COP 30, em Belém (Pará), em 2025.
Renata Sene, ex-prefeita de Francisco Morato (2017-2024), e Daniele Garcia, representante da Prefeitura de Vitória da Conquista (sudoeste baiano), contaram sobre as experiências alinhadas com ODS que transformaram as gestões e consolidaram a cultura da sustentabilidade nos respectivos municípios.
JOVEM ATIVISTA
Umas das atrações do primeiro dia 2º Encontro das Cidades ODS foi a ativista ambiental Mavi Brilhante, paraibana de 13 anos, que se tornou símbolo da luta pela sustentabilidade. Diante de um auditório repleto de crianças e adolescentes estudantes das redes de educação de Santos e São Vicente, a jovem chamou a atenção ao falar da sua trajetória que já tem projeção internacional: participou de eventos pelo clima como a COP 28 (Dubai) e COP 30 (Brasil).
“O meu interesse para essa luta começou quando eu via que crianças e jovens não tinham espaço de fala em eventos grandes. Quando eu percebi que isso não estava certo, eu falei que eu queria mudar. Então, poder representar todos esses jovens é incrível.
Nascida em João Pessoa (PB), Mavi afirma que desde pequenininha gostou da natureza. “Sempre gostei de ir para a praia e às vezes ver a praia poluída me deixava muito curiosa para saber quais eram as causas e por que isso acontecia. Era mais como curiosidade mesmo, queria aprender, e isso despertou a vontade de fazer esse trabalho pelo meio ambiente, mesmo com 10 anos”, conta a hoje embaixadora do Instituto Limpa Brasil e da Earthday.org.
Em relação ao encontro em Santos, além da emoção de ver crianças e jovens envolvidas com o tema da sustentabilidade, Mavi Brilhante diz ter esperança de que o evento “possa conectar cada vez mais pessoas e juntar mais jovens por essa luta que é tão importante”.
Fonte: Jornal Da Orla


