PUBLICIDADE

Encontro cultural no Paquetá – Jornal da Orla


O dia estava lindo, um verdadeiro dia de verão, resolvi ir para o escritório de VLT, peguei na estação José Monteiro, e fui apreciando todo o trajeto, ainda era cedo, e ao passar pelo Mercado em Santos, resolvi descer, e fui caminhando, observando os casarões antigos, destruídos pelo tempo, crianças jogando bola na rua, logo estava à frente de um grande arco, com dizeres em latim “ In pace in idipsum dormiam etrequiescam” que traduzindo, Descansem em paz os que dormem eternamente, estava na frente ao cemitério do Paquetá.

Entrei sozinho naquele ambiente lúgubre e frio, talvez nem o canto dos pássaros, aliviam aquele silencio, apenas vi um gato preto, sentado em uma sepultura, olhando para mim, com olhares suspeitos, fui andando e olhando para os lados, o sol penetrava entre as arvores, jazigos enormes com anjos e arcanjos.

Mais à frente, ouvi vozes, um tanto rouca, aproximei-me e confesso que tremi um pouco, pareciam que declamavam versos, fiquei ouvindo, não sei se era um lamento, ou uma forma de se expressar, mas apesar do medo, confesso que eram lindos versos, alguns já tinha ouvido em algum lugar.

Mais à frente, deparei com outras vozes, parecia alguém fazendo discursos, falava que amava Santos, e que tinha caráter e ética, defendia a democracia e era contra a corrupção, dizia tornar sua cidade grandiosa e bonita.

Terminado o discurso, fui mais à frente e um lindo ipê amarelo, parecia até uma moldura, com o sol penetrando em suas flores, e aos poucos vi um pincel deslizando sobre uma tela, com cores vivas, foi desenhando algo fantástico, como se fosse um pincel mágico, com traços marcantes, observei os limites, que só um artista pode ter.

Confesso que fiquei deslumbrado naquele cemitério, onde não havia vidas, apenas sepulturas e boas lembranças dos entes queridos, será que transmitem alguma mensagem depois de mortos, o espirito não fala, talvez nem Freud explica, mas o espiritismo tem resposta para tal fato.

Já passava as horas e achei por bem ir embora, caminhando de volta, não apareceu nenhuma alma viva, apenas o porteiro me cumprimentou, e perguntou, se eu já conhecia o cemitério, disse que sim, você chegou a visitar as sepulturas de Martins Fontes, Vicente de Carvalho, Mário Covas, Benedito Calixto, Joaquim Xavier da Silveira, Quintino de Lacerda, Paulo Gonçalves, Cleóbulo Amazonas Duarte, Fabio Montenegro, Francisco Martins dos Santos e Júlio Ribeiro, são pessoas importantes de nossa região e segundo a lenda, dizem que pessoas iluminadas, conseguem ouvir suas vozes e até ver molduras de Benedito Calixto.

Agradeci ao porteiro, e sai feliz do cemitério, que para mim, era um reduto de poetas, artistas, pintores, educadores, políticos, etc. e mais feliz ainda, em saber que sou uma pessoa iluminada, segundo o porteiro.

Retornei ao Mercado contente, peguei o VLT e fui para o escritório, depois de ter ouvido vozes de gênios de nossa literatura, pintores, políticos e pessoas marcantes de Santos, que repousam no cemitério do Paquetá.



Fonte: Jornal Da Orla

Leia mais

PUBLICIDADE