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Confira por onde andam e o que fazem os ex-presidentes do Brasil


Dois dos seis ex-presidentes vivos do Brasil cumprem atualmente prisão domiciliar, e três deles já chegaram a ser presos em algum momento após deixarem o cargo. Mesmo fora do Palácio do Planalto, essas lideranças continuam influentes, seja na política, na atuação internacional ou no debate público.

Hoje, o Brasil tem seis ex-presidentes vivos: José Sarney (MDB), Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).

Além de Bolsonaro e Collor, que cumprem prisão domiciliar humanitária, também já foram detidos Michel Temer e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Após deixarem a Presidência, é comum que os políticos continuem com atuações nos bastidores. A aposentadoria também é uma alternativa, mas depende de fatores como idade e perfil de cada um.

FHC, por exemplo, foi o ex-presidente com a menor atuação política após deixar o cargo, optando pela aposentadoria. Já Sarney foi senador por 23 anos depois de sair do Planalto.

José Sarney: autor literário

José Sarney assumiu a Presidência em 1985, após a morte de Tancredo Neves, do qual era vice, marcando o fim do Regime Militar. Ele foi o primeiro civil a governar o país após 21 anos de ditadura.

Depois do mandato, teve longa trajetória no Congresso: foi senador pelo Amapá por três mandatos (1991-2014) e presidiu o Senado quatro vezes. Ele decidiu deixar a política em 2014, quando encerrou seu último mandato como senador.

José Sarney, ex-presidente do Brasil. (Foto: Ricardo Stuckert / Wikimedia Commons)

Hoje, aos 95 anos, dedica-se à literatura. Sarney é membro da Academia Brasileira de Letras e já publicou mais de 120 obras, a maioria romances. Em dezembro de 2025, lançou uma coletânea com três livros: O Dono do Mar, Saraminda e A Duquesa Vale uma Missa.

Fernando Collor: cumpre prisão domiciliar

Fernando Collor foi eleito presidente da República em 1989 com 50,01% dos votos no segundo turno, na primeira eleição direta após o Regime Militar. Aos 40 anos, ele foi o presidente mais jovem da história do Brasil.

O governo de Collor terminou em 1992, com impeachment aprovado pela Câmara. O ex-presidente renunciou antes da condenação final no Senado, mas teve os direitos políticos suspensos por oito anos.

Após o fim da inelegibilidade, Collor retornou à política e foi eleito senador por Alagoas em 2006 (44,04% dos votos), sendo reeleito em 2014. Com o fim do mandato no Senado, Collor tentou ser governador de Alagoas em 2022, mas ficou em terceiro lugar.

Fernando Collor, ex-presidente do Brasil.Fernando Collor, ex-presidente do Brasil. (Foto: Jefferson Rudy | Wikimedia Commons)

Em abril de 2025, Collor foi preso por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) após condenação a oito anos e dez meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Dias depois, a Corte autorizou o cumprimento de pena em prisão domiciliar por motivos de saúde. Em 2026, o ex-presidente segue preso em casa.

Fernando Henrique Cardoso: FHC foi interditado judicialmente

Fernando Henrique Cardoso, conhecido como FHC, foi eleito em 1994 com 54,28% dos votos e reeleito em 1998 com 53,06%. O tucano é até hoje o único presidente eleito e reeleito no primeiro turno após a redemocratização.

Depois de deixar a Presidência, FHC atuou como palestrante e articulador político. O ex-presidente se tornou referência intelectual no campo da social-democracia brasileira, com atuação em debates públicos envolvendo empresários e no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), no qual foi eleito presidente de honra.

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil.Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil. (Foto: RICARDO STUCKERT | Wikimedia Commons)

Nos últimos anos, ele se afastou da vida pública. Em abril de 2026, a Justiça determinou a interdição parcial de FHC após diagnóstico de declínio cognitivo associado ao Alzheimer. Desde então, um dos filhos, Paulo Henrique Cardoso, passou a responder legalmente por seus atos civis.

Dilma Rousseff: presidente do Banco dos BRICS

Dilma Rousseff foi eleita em 2010 com 56,05% dos votos. Ela foi a primeira mulher presidente do Brasil. Em 2014, a petista venceu novamente, com 51,64%, em uma das disputas mais apertadas da história recente.

Após sofrer um impeachment em 2016, Dilma teve uma fase mais discreta e chegou a disputar o Senado por Minas Gerais em 2018, quando ficou em quarto lugar.

Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil.Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Desde 2023, Dilma preside o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos BRICS. Ela foi indicada pelo presidente Lula ao cargo, que na época presidia o bloco econômico. Em 2025, a petista foi reeleita ao cargo para um novo mandato de cinco anos, com apoio internacional do presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Michel Temer: articulador político

Michel Temer assumiu a Presidência em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff, de quem era vice. Após deixar o cargo, ele retomou a carreira como advogado, consultor e palestrante.

O emedebista também manteve a atuação nos bastidores da política, sendo um dos ex-presidentes mais atuantes politicamente. Nos últimos anos, ele participou de negociações sobre regulação de plataformas digitais e discussões legislativas no Congresso. Embora negue atuar como lobista, Temer é apontado nos bastidores como articulador em temas sensíveis.

Em 2023, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que o ex-presidente havia sido contratado pelo Google para “ajudar na negociação da regulação das plataformas de internet”.

Michel Temer, ex-presidente do Brasil.Michel Temer, ex-presidente do Brasil. (Foto: LULA MARQUES | Wikimedia Commons)

Em novembro de 2025, Temer abriu sua residência para discutir o PL da Dosimetria, que reduz as penas dos presos pelo 8 de janeiro. O encontro contou com a presença do relator do projeto na Câmara dos Deputados, Paulinho da Força (Solidariedade-SP). À imprensa, Temer disse que a intenção era ajudar o projeto que pode pacificar o país.

Temer também já foi preso preventivamente durante investigações relacionadas à Operação Lava Jato, mas acabou absolvido em processos posteriores.

Jair Bolsonaro: liderança política

Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 com 55,13% dos votos no segundo turno, após uma campanha marcada pelo atentado a faca que sofreu durante o período eleitoral. Antes da Presidência, ele teve sete mandatos como deputado federal e iniciou a carreira como vereador no Rio de Janeiro.

Em 2022, tentou a reeleição pelo Partido Liberal (PL), mas foi derrotado por Lula, do PT. Bolsonaro foi o primeiro presidente a não conseguir se reeleger desde a mudança na Constituição que permitiu a reeleição.

Em 2026, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária temporária após condenação do STF a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. A medida foi concedida por razões de saúde, após quadro de pneumonia e outras complicações clínicas.

Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente do Brasil.Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente do Brasil. (Foto: Wikimedia Commons )

Mesmo inelegível e fora do cargo, Bolsonaro segue como uma das principais lideranças da direita brasileira e tem influência direta em decisões políticas.

No fim de 2025, o ex-presidente apontou o seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro, como o candidato à Presidência para as eleições de 2026.

Além do apoio ao filho, Bolsonaro tem papel decisivo sobre possíveis candidaturas no campo conservador.

Quanto custa manter ex-presidentes?

Os ex-presidentes têm direito a uma estrutura paga pela União, com assessores, segurança, veículos e até hospedagem e passagens aéreas. Em 2025, os gastos totais ultrapassaram R$ 9,53 milhões, segundo informações do Portal de Dados Abertos da Casa Civil.

Esses benefícios são concedidos a todos os ex-presidentes, independente da situação judicial do ex-chefe do Executivo federal. Entre as despesas inclusas estão até quatro servidores para a segurança, dois assessores, dois motoristas e dois veículos oficiais.

Dilma Rousseff liderou as despesas, com R$ 2,37 milhões, impulsionadas por viagens internacionais. Fernando Collor aparece em seguida, com R$ 2,27 milhões.

Jair Bolsonaro registrou R$ 1,19 milhão em gastos, valor menor que em anos anteriores após restrições judiciais. Michel Temer somou R$ 1,6 milhão em despesas, enquanto José Sarney gastou R$ 1,10 milhão.

Fernando Henrique Cardoso (FHC) registrou o menor valor, cerca de R$ 981 mil. Ele foi o único ex-presidente que não utilizou recursos com passagens aéreas ou hospedagem.



Fonte: Revista Oeste

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