Entre quinta-feira (4) e domingo (7), acontece o congresso “Biomedicina in Santos”, que deve reunir cerca de 200 especialistas e cerca de 4 mil participantes no Santos Convention Center, na Ponta da Praia (Praça Almirante Gago Coutinho, 29). As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo site https://biomedicinainsantos.com.br. Entre os temas em pauta estão reprodução humana e genética, pesquisa clínica, biomedicina estética, neurociência, imagenologia, gestão e tecnologia em saúde.
O Jornal da Orla conversou com Dácio Campos, presidente do Conselho Regional de Biomedicina – 1ª Região (São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná), entidade promotora do evento, em conjunto com a Associação Paulista de Biomedicina. Ele falou sobre a importância da biomedicina e destacou que o encontro deve ter foco especial nas áreas de estética, uso da cannabis medicinal e no atendimento aos autistas. Confira trechos da conversa.
Qual atual o panorama da biomedicina?
A biomedicina está com 50 e poucos anos e foi originada de um projeto para formar profissionais para dar aula para os cursos básicos de medicina e para pesquisa e docência. Só que o currículo formado foi tão forte que, mesmo os da primeira turma, como é o meu caso, procuramos ampliar o campo de atuação na área de saúde. A regulamentação foi aprovada em 1979 (11 de setembro) e a formação do nosso conselho, em 1985 (um conselho federal e quatro regionais) – hoje, estamos com sete regionais e mais de 180 mil profissionais. Quando nossa profissão foi regulamentada, tinha vinte e poucas habilitações por lei. Hoje, estamos com mais de 40. Durante muitos anos, 90% dos cursos eram direcionados para análises clínicas, patologia clínica. Nos últimos 10 anos, tivemos destaque em várias outras habilitações, como a do perito judicial, a imagenologia [diagnóstico por imagem], mais recentemente a estética.
Essas são as grandes novidades?
A gente reformulou e atualizou, capacitou para que o profissional se desenvolvesse muito. A pandemia, que foi ruim para todo mundo, ajudou a profissão biomédica, tanto nos estudos para a descoberta do vírus quanto no tratamento da imunização. A gente tem atualizado outras habilitações. Reformulamos a biologia molecular, reprodução humana, vacinação com a imunização completa. Estamos tratando de um projeto para autismo e com destaque especial para a cannabis – montamos um grupo de estudo pioneiro aqui no Brasil, agora que a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] regulamentou o uso da cannabis medicinal, desde a produção, a plantação, até a aplicação de tudo que ela pode fornecer, e que vai servir para o tratamento de milhares de pessoas.
Quais são as ações relacionadas ao autismo e à cannabis medicinal?
Essa história da cannabis é muito recente. Faz um ou dois meses que foi finalmente liberada pela Anvisa. Então, a gente está levando o grupo todo para o congresso em Santos, especialistas que já vêm trabalhando com isso há anos, mas sempre com restrição porque não era aprovado no Brasil, era um tabu. Com a liberação pela Anvisa, esse debate cresceu e nós vamos focar muito nisso no “Biomedicina in Santos”, para que outros profissionais saibam como iniciar os estudos, as pesquisas com os diferentes tipos de cannabis. Esse é um foco de destaque em Santos. Com relação aos autistas, os estudos também evoluíram, mas ainda há muito tabu, muito diz que diz. Hoje, já temos especialistas capazes de direcionar a origem do transtorno e como pode ser tratado ou minimizado os sintomas. A nossa ideia é pegar o maior número de profissionais e capacitar nessa área, não só para o mercado de trabalho, mas para a pesquisa, para contribuir com a saúde pública.
Segmentos relacionados à estética têm evoluído muito, ao mesmo tempo, apresentam muitos problemas, inclusive com mortes. O congresso vai tratar essa questão?
Com certeza. Para nós, foi uma surpresa, desde a nossa aprovação para mexer com estética, porque foi uma luta muito grande de um pequeno grupo que atuava com nessa área. Nós nos desenvolvemos muito, assim como outros profissionais, porque antes era só a medicina e a base do dermatologista. E nem a medicina aceitava que o dermatologista tratasse estética. Hoje existe profissional capacitado, não só na medicina, mas na enfermagem, fisioterapia e a biomedicina. Nós tivemos um volume muito grande de profissionais nessa área. Nós desenvolvemos nossa comissão de ética, vigiamos e controlamos nossos profissionais e cada vez mais damos capacidade para a pessoa se informar, saber mais, fazer pós, fazer mais cursos para poder se tornar um grande profissional.
A tecnologia contribuiu para a evolução da biomedicina, mas as questões ética preocupam?
O biomédico se desenvolveu muito com a biologia molecular e a reprodução humana, por exemplo. Existem biomédicos trabalhando no mundo todo. E nós temos, sim, a preocupação e também os cuidados iniciais com pesquisas, a inteligência artificial. Estamos acompanhando a evolução da tecnologia para que ela possa ser aplicada da maneira certa no meio de saúde.
Diante dessas questões, qual a expectativa com o congresso?
A expectativa é para que tenha mais de 4 mil pessoas, biomédicos e de outras áreas da saúde. O congresso vai trazer representantes do Brasil inteiro, que vão poder depois montar nos próprios espaços cursos com especialistas, com gente que está muito bem preparada e vai saber passar para os outros quais os procedimentos de cada habilitação. Mas os destaques mesmo que a gente espera muito é em cima da estética, da cannabis e do estudo para os autistas. Nós queremos que os biomédicos possam se alastrar para o Brasil inteiro e mostrar para as prefeituras que eles devem incluir biomédicos nos seus concursos públicos, nas suas várias habilitações. Podemos estar incluídos nos programas de saúde, sair da toca, não atender só no hospital, na clínica, mas participar dos movimentos para os bairros, com prevenção, por exemplo, não só o tratamento. Isso barateia todo o custo da saúde pública.
Fonte: Jornal Da Orla


