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Civilidade – Jornal da Orla


Um de meus irmãos tinha, por conta do curso ginasial, lido o livro “Civilidades”, da Editora FTD. Havia outro, que fazia parte das aulas de literatura dele: “Olhai os Lírios do Campo”, de Érico Veríssimo. Diziam que eu era muito jovem para lê-lo, mas o fiz em segredo. Ele me marcou profundamente, por tratar de um choque de valores, uma visão crua do cotidiano, de escolhas, arrependimentos, superações e da importância da empatia, da civilidade.

Uma das definições que encontrei, para melhor expressar minha própria percepção, foi: “Civilidade é o conjunto de boas maneiras, cortesia e respeito mútuo que rege o convívio social. O termo indica a observância de regras de urbanidade que facilitam as relações entre os cidadãos, promovendo um ambiente de consideração e tolerância.”

Essa definição dispensa qualquer modismo ou neologismo, pois quem pratica civilidade, por princípio, mais do que “politicamente correto” ou praticante de “linguagem cidadã”, é humanamente sensível e responsável, sem a necessidade de cartilhas ou protocolos.

Antoine de Saint-Exupéry, em sua obra “O Pequeno Príncipe”, cunhou a frase: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Tornar-se responsável inclui respeito, mas, sobretudo, o entendimento do motivo pelo qual se cativa. Às vezes ele não se sustenta quando a vaidade, a arrogância e o egocentrismo se sobrepõem.

Algumas pessoas, não sei se por compensação, consideram que uma virtude, competência ou escolha as transforma em paradigma insofismável, um exemplo a ser venerado. Só consideram amigos os que os adulam. Sua prepotência chega ao nível de se arvorarem juízes, condenando quem não se adapta ao seu “nível”.

Isso vale em vários âmbitos, mas, no caso da cultura, ser culto pressupõe, não uma superioridade arrogante, mas uma responsabilidade com princípios de civilidade.

Pessoas cultas deveriam ser as mais cordatas, as mais tolerantes, sinal de que a leitura de centenas de autores e conhecimento de dezenas de culturas a tornaram uma pessoa melhor.

De outra forma, essas pessoas só cativarão pena, afastarão até as pessoas que tentaram tolerar suas deselegâncias.

Conheço pessoas humildes, que nunca saíram de suas cidades, nunca tiveram acesso a bibliotecas ou viajaram pelo mundo, que possuem uma sabedoria e inteligência que superam em muito pessoas que se consideram cultas.

Essas me cativam e merecem meu respeito sem precisar exigi-lo, pois alcançaram essa condição por serem simples em sua grandeza, por respeitarem o próximo e compartilharem o pouco que sabem sem esperar adulação. São pessoas que motivam por suas atitudes. Seres humanos agregadores, que contribuem sempre de forma positiva e respeitosa. Esses são a exata expressão da civilidade, do melhor que a humanidade pode representar!



Fonte: Jornal Da Orla

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