A Baixada Santista responde por cerca de 5% do total de casos de dengue no território paulista, de acordo com os números entre janeiro e início de agosto (dia 6) deste ano. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES-SP), dos 55.334 registros confirmados no estado, 2.257 estão na região.
A SES não informou os números por município, porém, com base no levantamento anual, é possível enxergar uma tendência de queda: no ano passado, a doença afetou 886.076 pessoas em São Paulo, sendo 14.088 na Baixada Santista. Ou seja, para fechar o ano com número parecido, as confirmações na região precisariam aumentar cerca de sete vezes nos próximos quatro meses. Mas essa hipótese não é motivo para relaxar com as medidas preventivas, principalmente porque ainda teremos o verão e o período de chuvas.
O médico infectologista Gustavo Vinícius Pasquarelli Queiroz explica que a temperatura influencia tanto o mosquito aedes aegypti quanto o vírus transmissor da dengue e da chikungunya. “Quando há um aumento de temperatura, o aedes se desenvolve de maneira mais rápida. Então, o mosquito adulto aparece mais rapidamente, com isso, vai se alimentar mais. Só que tem um período menor de incubação do vírus dentro dos mosquitos e eles se tornam mais infectantes, o que aumenta ainda mais a transmissão”, explica.
No entanto, o infectologista faz uma ressalva: “O período de incubação do vírus dentro do mosquito é bem sensível à temperatura, mas isso não quer dizer, necessariamente que, quanto mais quente, mais dengue. Se a temperatura é muito elevada, ela diminui o tempo de vida do mosquito, prejudicando a proliferação. Há uma espécie de janela térmica que favorece o mosquito”.
EL NIÑO E VACINA
No caso do El Niño, por exemplo, Gustavo Pasquarelli Queiroz afirma que não é que o fenômeno favorece a dengue. “É que o El Niño altera a temperatura, há mais precipitação e umidade, a gente tem mudança na ecologia do mosquito, muda a distribuição e a densidade do vetor e, com isso, existe alteração na transmissão do vírus”.
Enquanto o El Niño não vem e, independentemente das mudanças climáticas, a melhor forma de imunização é a vacina, alerta o médico infectologista. “Veja o caso do sarampo: toda vez que o índice vacinal fica abaixo de 95%, a gente tem retorno da doença. Então, esse movimento antivacina global, as ‘teorias da conspiração’, acabam refletindo numa redução dos vacinados, com isso, aumenta o número de suscetíveis e as doenças infecciosas retornam”, afirma.
Importante lembrar que a Secretaria de Estado da Saúde registra 23 casos de sarampo e tem feito alertas sobre a importância da vacinação, ainda que a Baixada Santista não tenha nenhum registro. Dos 23 registros, 20 são de pessoas residentes da capital paulista, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.
Fonte: Jornal Da Orla


