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Atrasada, obra no prédio da Escola do Legislativo deve acabar em setembro


Está prevista para ser entregue na segunda quinzena de setembro a obra de restauro e adequação do prédio da antiga escola Acácio de Paula de Leite Sampaio, futuras instalações da Escola do Legislativo e alguns setores administrativos da Câmara de Santos. “Cerca de 70% dos trabalhos já estão concluídos”, afirma o presidente do Legislativo santista, vereador Adilson Júnior (PP).

No entanto, ele reconhece o atraso – “a data foi duas vezes postergada” –, atribuindo o fato à complexidade do projeto. A ordem de serviço para os trabalhos foi assinada em 22 de janeiro de 2025, prevendo investimento de R$ 18.772.936,23 – o prazo original para execução era de 12 meses. “No papel é uma coisa e na prática é completamente diferente. Quando vai para a prática, temos um prédio que estava há dez anos parado, degradado, e você tem que modernizar um prédio tombado, um exemplo da arquitetura brutalista, só concreto”, afirma.

O presidente do Legislativo ressalta que não se trata “simplesmente” de modernização. “É trazer o espaço para algo habitável, colocar ar-condicionado, que nunca existiu, instalar elevador sem desconfigurar a questão do tombamento, porque hoje qualquer prédio precisa ter acessibilidade e só tinha escadas. Imagina um prédio brutalista, tombado, a gente colocar um elevador no meio. Não é da noite para o dia, precisa de muito estudo e precisa de muita aprovação”.

Michelle Pereira Ticiane, fiscal da obra pela Câmara Municipal, destaca outros aspectos que são “novidades” no projeto original, que data do final da década de 1960: “Além de toda preocupação com a acessibilidade, teve a instalação de placas fotovoltaicas (são 118), adequar ambiente especial para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), outro para coworking, para o arquivo público do Legislativo, vestiários, salas de informática, de aula e de reuniões, auditórios entre outros pontos que exigiram adequações e aprovação do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio de Santos (Condepasa)”.

NOVA FASE

O prédio, com subsolo e mais três pavimentos (térreo mais dois andares), foi inaugurado em 1969. De acordo com a representante da Câmara, o segundo andar está bastante adiantado, na fase de acabamento. Ela afirma que as intervenções mais complicadas estão superadas – cita como exemplo a implantação da estrutura para instalação do elevador, colocação de granilite em áreas externas e adequação de salas para receber os alunos da Escola do Legislativo.

A reportagem do Jornal da Orla andou pelo prédio, na companhia de Michelle Pereira e do engenheiro responsável, Carlos Santos. Percebe-se trabalho em várias frentes – o engenheiro diz que 50 pessoas atuam na obra, para garantir a entrega. No entanto, vê-se que vários pontos ainda dependem de muito trabalho.

A fiscal da obra diz que a ideia é não haver mais aditamento de prazo, mas faz uma ressalva: “A conclusão da obra não significa a entrega do prédio para uso. Haverá nova fase, que é a da compra de mobiliário e equipamento, além do tempo para transferência de setores da Câmara para o novo espaço – arquivo, áreas administrativas e educativas da Escola do Legislativo, entre outros. Queremos começar a funcionar com tudo no início de 2027”, diz Michelli Pereira.

LEGADO

Adilson Jr. afirma que o fato de a entrega da obra ter sido postergada por duas datas não o preocupa. “Não tenho receio nenhum de dizer que, provavelmente, vamos postergar mais, até porque eu me preocupo, acima de tudo, com a qualidade daquilo que a gente vai entregar. É um legado que eu quero deixar e os diretores do Legislativo estão muito zelosos quanto a essa questão da qualidade, mais do que de tempo”, declara.

Em relação a valores majorados em função do atraso, o presidente da Câmara garante que “só a correção da inflação”, prevista em contrato. “Inclusive, a gente teve uma deflação em alguns itens. Aquilo que era previsto, a gente optou por fazer algo mais barato. Um deles é o ar-condicionado: era de um tipo e a gente optou por outro mais barato. Mas quando a gente fala de aditamento, é uma palavra que as pessoas entendem justamente como majorar valor. Porém, mesmo que eu mude um item para outro e isso resulte em economicidade, isso se chama aditamento”.

O parlamentar afirma que ainda é impossível falar no valor a ser acrescido sobre os cerca de R$ 18,8 milhões orçados inicialmente. “Não dá para fechar isso, porque a gente não pagou nem metade dessa obra ainda”, diz.



Fonte: Jornal Da Orla

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