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Nelson Fabiano é homenageado por luta pela democracia em Santos


Foram décadas de lutas em prol da liberdade e da democracia. E, nesta sexta-feira (14), a história de Nelson Fabiano Sobrinho e Marcelo Gato será lembrada durante o projeto Heróis da Liberdade. O evento acontece as 19hs na Rua Sergipe 15, Casa 2, no Gonzaga, em Santos.

Aos 77 anos, Nelson Fabiano relembra a trajetória política marcada pela resistência à ditadura militar e pela defesa dos direitos democráticos em Santos. Ex-vereador da Cidade, ex-deputado estadual e advogado, ele teve o mandato cassado em 1976, ao lado do também político santista Marcelo Gato.

Para Nelson, a participação de Santos na resistência ao regime militar está ligada à tradição política da cidade. “Santos era uma cidade que era altamente politizada. Formamos lideranças importantes na Cidade. Eles (golpe de 1964) cassaram a autonomia política de Santos”, relembra.

Segundo Nelson, com a perda da autonomia política, a população deixou de escolher diretamente o prefeito, enquanto o governo militar passou a indicar interventores para administrar o Município.

Na década de 1970, Nelson entrou para o MDB, partido de oposição à ditadura e foi eleito vereador aos 27 anos. Durante o mandato, passou a confrontar medidas do governo. Também defendeu a retomada da autonomia política de Santos.

“Eu saí candidato a vereador lutando pelo restabelecimento da autonomia política de Santos e pelo fim da ditadura militar, querendo que o Brasil voltasse a ter democracia”, conta.

MARCELO GATO

Na Câmara Municipal, Nelson atuou ao lado de Marcelo Gato. Dentre os episódios lembrados por Nelson está uma longa sessão na qual ambos tentaram impedir a aprovação de uma taxa de iluminação pública proposta pelo interventor.

“Eu e o Gato fomos discutindo artigo por artigo”, recorda. A estratégia levou a sessão da noite até o meio-dia do dia seguinte.

A parceria continuou nas eleições seguintes. Nelson foi eleito deputado estadual, enquanto Marcelo Gato conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). A atuação política dos dois, entretanto, ganhou ainda mais tensão durante o período de repressão.

Após a morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, Nelson intensificou as denúncias contra as violações cometidas pelo regime. Como vice-líder do MDB, utilizava a Assembleia Legislativa para registrar prisões que poderiam não receber reconhecimento oficial. Dessa forma, buscava criar um registro público das detenções e evitar que presos políticos desaparecessem sem as devidas informações oficiais.

“A forma de preservar a vida dessas pessoas era legalizando a prisão. Eu denunciava aquilo todo dia”.

Marcelo Gato faleceu em 2012.

CASSAÇÃO E RESISTÊNCIA

A atuação contra a ditadura trouxe consequências. No início de 1976, Nelson e Marcelo Gato tiveram os mandatos cassados. Para Nelson, porém, a perda do mandato não significou o fim da militância política.

“Eles me cassaram, mas eu não vou me cassar”, afirma.

Depois de deixar o Legislativo, Nelson continuou atuando na defesa da democracia, inclusive na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ao longo dos anos, também ocupou outros cargos públicos e seguiu ligado ao Direito e à Política. Hoje, décadas depois da cassação, afirma que a luta pela democracia não ficou no passado.

“Valeu, não. Continua valendo. Até hoje eu continuo lutando”, diz.

Para Nelson, a defesa das liberdades precisa ser permanente. Ele também destaca a responsabilidade dos eleitores na escolha dos representantes políticos.

“Se você não fizer uma defesa permanente, uma vigilância permanente das liberdades democráticas, das liberdades individuais e públicas, daqui a pouco ela cai uma outra vez num negócio desse”, afirma.

Por isso, o ex-deputado deixa um conselho principalmente para os jovens: conhecer os candidatos, suas propostas e seus princípios antes de votar. Ademais, ele defende que a população acompanhe a atuação dos representantes depois das eleições.

“Preste atenção no teu voto quando você for votar”, conclui.

 

Supervisão: Paulo Rogério

 



Fonte: Jornal Da Orla

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