
Fernando, entre Samir, Cibelli, Clara e Valentina.
O “pai em construção” preparou para este domingo (9) uma lasanha, o prato preferido do filho e das três filhas. Viúvo desde agosto de 2024, Fernando Rodrigues de Lima, 45 anos, diz que aprende todos os dias, se orgulha de pode estar em família, mas rejeita o título de pai herói.
“Nunca fui. E sempre fiz questão de demonstrar minhas fraquezas e acho que isso foi importante nessa caminhada, para mostrar que um humano qualquer, cheio de defeitos e limites, pode sim se tornar um pai – me orgulho disso. E digo que estou em construção, porque acredito que a cada dia o mundo nos proporciona algo novo para aprender sobre a paternidade”, afirma o trabalhador na área de manutenção em uma rede de supermercados.
Morador de São Vicente, Fernando casou-se com Bruna Campos Silva Rodrigues, quando tinha 21 anos; ela, 19. O primogênito do casal é Samir, hoje com 23 anos. Depois, nasceu Cibelli, 21 anos. Depois Clara, atualmente com 18 anos, e a caçula é a Valentina, 12 anos.
“Aconteceu tudo muito cedo em nossas vidas e, de alguma maneira, foi instantâneo o nosso amor. Talvez o que passamos na nossa infância, traumas e a falta de uma base, nos fez aproximarmos ainda mais. Ela sempre foi melhor no cuidado e na criação do que eu, uma mãe excepcional”, afirma ele, que prefere não falar muito sobre a perda de Bruna, que faleceu aos 40 anos.
Fernando precisava cuidar das crianças – à época Clara tinha 16 anos e Valentina 10 anos – e dele também. “A força que eu precisava encontrei nos meus filhos, que foram mais fortes do que eu. Meu relacionamento é muito bom com meus filhos, algumas coisas ainda comunico a eles antes de fazer”.
Mas como um pai que se “constrói e reconstrói” diariamente, ele diz que continua aprendendo. “Com os mais velhos, a maior dificuldade foi tentar fazer o que a Bruna fazia, fazer marmita, controlar as finanças e o mercado. Foi uma tentativa totalmente frustrada. Ela era única. Mas eles entendiam isso e me ajudaram em tudo. Com as mais novas, foi tentar estar presente para suprir a falta da mãe – outra frustração, pois a Bruna é insubstituível”, afirma.
De acordo com Fernando, o filho e as filhas o mantém em pé. “Tudo que aprenderam com a mãe me ajuda nessa caminhada. Mas me nego a dizer que crio meus filhos sozinho, pois a Bruna os criou muito bem antes de partir. Sou um homem realizado no amor de uma mulher e no papel de pai. Tenho muito orgulho dos meus filhos. A saudade me atormenta, mas o amor que eu recebi e o legado que a Bruna nos deixou, me faz levantar todos os dias”.
Fonte: Jornal Da Orla


