O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deu um prazo de 48 horas para que a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape/DF), que cuida do Complexo da Papuda, em Brasília, preste esclarecimentos sobre o relato de um detento. De acordo com o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como “careca do INSS”, agentes penais o teriam retirado da cela para oferecer delação premiada.
Em relato apresentado ao STF na última sexta-feira, o “Careca” teria sido alvo de uma revista em sua cela, após a qual teria sido interrogado sobre o motivo de ainda não ter delatado na investigação sobre descontos ilegais contra aposentados, na chamada “Farra do INSS”.
Mendonça solicitou as informações na noite de segunda-feira (22), e o prazo passa a valer a partir do momento da notificação à Seape. O ministro pede no despacho, que está sob sigilo judicial, que os fatos sejam esclarecidos e que, caso procedam, os agentes penitenciários envolvidos sejam devidamente identificados.
A Gazeta do Povo procurou a Seape para esclarecimentos e aguarda uma resposta. Ao jornal Valor Econômico, o órgão informou que não prestaria informações sobre “custodiados específicos”, mas que segue “protocolos operacionais” em suas unidades prisionais. Segundo o jornal, a defesa de “Careca do INSS” não quis comentar o relato.
Histórico
O “Careca do INSS” foi preso em setembro, depois de ser alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar o desconto ilegal em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo as investigações, ele seria um dos principais operadores do esquema que pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões.
Em setembro de 2025, Antunes negou participação no esquema durante um breve pronunciamento à CPMI do INSS. Na ocasião, ele classificou sua prisão preventiva como “uma medida extremamente grave, baseada em premissa absolutamente equivocada”.
A Polícia Federal (PF) investiga o suposto elo entre o filho do presidente, Lulinha e o “Careca do INSS”, além de uma viagem a Portugal paga pelo lobista. Apura-se a existência de uma triangulação de recursos e o uso de empresas de fachada nos pagamentos de recursos, oriundos das fraudes previdenciárias. Em maio, o comando das investigações foi trocado, o que gerou críticas de possível influência política na decisão.
Fonte: Revista Oeste


