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Restauração do Forte de Itapema depende da captação de R$ 20 milhões


O prefeito de Guarujá, Farid Madi (Podemos), coordenou terça-feira (26) a apresentação do projeto arquitetônico de restauração do Forte da Vera Cruz de Itapema, o Forte de Itapema, em Vicente de Carvalho. Ao lado da secretária estadual de Cultura, Marília Marton, de representantes do Instituto KondZilla e de lideranças políticas, empresariais e de entidades sociais, Farid ressaltou a importância histórica e a proposta de transformar o local em polo de cultura, turismo, educação e de economia criativa. O evento significou, de fato, o ponta pé inicial para as ações de captação de recursos para as obras, cerca de R$ 20 milhões, de acordo com João Vitor Caires, fundador e diretor executivo do Instituto KondZilla. De acordo com ele, a expectativa é que a captação de recursos aconteça nos próximos dois anos.

“O Instituto desenvolveu o projeto arquitetônico de restauro e está submetendo às leis de incentivo, dialogando com as empresas do Porto de Santos e buscando outras formas de obter investimento social privado. Uma grande aposta é a Lei Rouanet, do governo federal, mas também as leis de incentivo do governo estadual”, explica João Caires.

A organização social sem fins lucrativos, que trabalha com formação profissionalizante de jovens da periferia nas indústrias criativas (cinema, comunicação digital, música, cultura), é a responsável pela captação. “A gente pretende ter o espaço aberto para operações a partir de 2028 e 2029. A partir de momento em que alcançarmos uma captação de R$ 10 milhões já começarão as obras e as atividades educacionais e culturais, porque a primeira etapa envolve a instalação de salas de aula em formato de contêineres que conseguem receber atividades educacionais e culturais, enquanto o espaço é reformado. Isso é uma metodologia já validada pelo SESC e por outras organizações de perfil parecido. Hoje, a manutenção, a segurança e a limpeza do espaço são responsabilidade da Prefeitura e o Instituto tem esse papel de articulação e viabilização do projeto”, afirma.

O projeto arquitetônico foi financiado por meio do Proac estadual, uma lei de fomento à cultura do Governo de São Paulo. “Custou R$ 500 mil. Foi aprovado pela Prefeitura. Contou com a colaboração de diferentes representantes da municipalidade e também da sociedade civil. E foi aprovado, sem ressalvas, pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio), que é a entidade que faz o tombamento do imóvel”.

Para o secretário de Cultura Guarujá, Marcelo Wellez, além de mostrar para a comunidade a proposta da Administração Municipal, o evento também possibilitou a apresentação do projeto para as autoridades e para possíveis investidores. “É muito importante, porque é um momento que se celebra a parceria entre a Prefeitura, o Instituto KonDizilla e, a partir disso, começa-se o processo de ir bater de porta em porta, chamando as empresas para que apoiem essa iniciativa”.

HISTÓRIA

O Forte de Itapema foi construído no século XVI, passou por várias reformas, até a Alfândega assumir o controle do local, no início dos anos 1900, com as construções já em ruínas. Após um processo que demorou cerca de seis anos, o Tombamento Oficial foi publicado em abril de 1982 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Importante lembrar que Guarujá torna-se município em 1947 e o Povoado de Itapema, habitado por trabalhadores do Porto, foi criado em 1953, mas como área pertencente a Santos.

ECONOMIA CRIATIVA

Além de defender a restauração do patrimônio histórico e cultural, a secretária de Estado da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, Marília Marton, ressalta que é preciso que esses espaços sejam valorizados, usados pela população. Para ela, a criação de um polo criativo e de formação, como é a proposta aqui para o Forte de Itapema, deve ser incentivada e conta com apoio do Estado.

“É sempre importante lembrar que a economia criativa é a economia do futuro, do século XXI. A gente ainda nem conhece muitas das profissões que nos próximos 10 anos vão ser criadas, mas gente estimula esse pensamento, para estar preparada para esses novos desafios. Aqui dentro está prevista uma escola uma escola que vai ajudar a população a se posicionar, uma escola que vai ajudar a vocacionar a região. Ajuda no desenvolvimento econômico da região”, afirma.

Marília Marton também destaca a importância das leis de fomento, não apenas para recuperação de um patrimônio, mas para criar espaços de diversão, formação e geração de renda para a população. “Não é simplesmente fazer uma reforma ou recuperar um patrimônio. Como é que as pessoas vão sentir que aqui pertence a elas? O que é legal desse projeto, o desafio, é como que ele vai se rechear depois. Claro que nós vamos ter aqui um grande patrimônio recuperado, mas precisa ter vida depois”, declara. A secretária diz que o Proac estadual, que está na sua segunda edição, teve 14 premiados e 2025 e já tem 12 premiados este ano, cada um com R$ 500 mil.



Fonte: Jornal Da Orla

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