Bertioga completa, nesta terça-feira, (19), 35 anos de emancipação político-administrativa – até o início dos anos 1990, era um distrito de Santos. Às 8h, na Praça dos Emancipadores, haverá hasteamento da bandeira, seguido do desfile cívico-militar, na Av. Tomé de Souza. Às 20 h, na Tenda de Eventos, acontece o Festival de Música de Matriz Africana Umbanda e Candomblé. Mais novo município da Baixada Santista, com 67 mil habitantes, 33 km de extensão e 90% de área preservada, Bertioga tenta conciliar desenvolvimento e meio ambiente. O prefeito Marcelo Vilares (União), 53 anos, fala ao Jornal da Orla o que a Administração tem feito para superar esse desafio.
Quais são suas expectativas neste novo ciclo do município?
As expectativas são as melhores. É um município que se desenvolve, recebe investimentos em infraestrutura urbana, como saneamento, macrodrenagem, urbanização, reformulação da iluminação pública, praças revitalizadas. Uma cidade de vocação turística que vem numa crescente dentro das suas limitações: temos 90% de área preservada.
Como conciliar questão ambiental e o desenvolvimento?
É o desafio do crescimento ordenado, mas é da nossa vocação, que é turística. Buscamos políticas públicas voltadas para ter esse proveito e trazer oportunidades para o bertioguense. Hoje, a gente tem 12 trilhas homologadas, temos o Parque Tupiniquins revitalizado, o Forte São João (primeiro do Brasil, um grande polo turístico da nossa cidade), a Vila do Itatinga. Temos a Feirinha do Bem, mais de 90 boxes para os artesãos. Já temos mais de 200 monitores no mercado de trabalho. Temos que ter atenção total para aproveitar e não perder essa identidade que são as belezas e riquezas naturais.
Quais as áreas prioritárias dos investimentos?
Bertioga recebeu saneamento, macrodrenagem, pavimentação, só em 2025. A gente levou pavimentação a 12 ruas (mais de 4 km), iluminação pública de LED – até o meio do ano a gente chega a 100% dessa reformulação da iluminação pública, trazendo modernidade, economia também, atendendo todos os bairros. Bertioga tem um dos metros quadrados mais valorizados do nosso litoral paulista. Recebemos grandes investidores, lojas de renomes e hipermercados. Hoje você entra na cidade, tem um portal. Uma década atrás, você passava direto pela rodovia Rio-Santos, não tinha nenhuma identidade. Todo mundo focava na Riviera de São Lourenço, que é um bairro totalmente ordenado, planejado, grande gerador de empregos (mais de 6 mil empregos diretos) e de tributos para o nosso Município. Mas hoje o entorno de toda cidade evolui. Hoje, temos dois hipermercados, um ao lado do outro, dentro da cidade. Lojas de renomes e fast foods. A cidade vem crescendo e está sendo um grande atrativo para a economia local.
Mas é nítida a diferença, do ponto de vista socioeconômico e de infraestrutura, entre a Riviera e outros bairros. Como reduzir essas diferenças?
Tirando a área urbana, você pega a Morada da Praia, a Costa do Sol, a Riviera de São Lourenço, Centerville, Boungainville e demais loteamentos, porque a Riviera também foi um loteamento, e hoje é um bairro… São locais que têm gestão, não oneram os cofres públicos, tirando a iluminação pública, coleta de lixo, saneamento. São locais que têm uma gestão de zeladoria que valoriza a nossa cidade. A gente busca hoje, dentro de toda a área urbana, levar o serviço essencial. Esse crescimento preocupa por que deve ser ordenado, vai ao encontro das políticas públicas. Já identificamos, através do Regulariza Bertioga, todos os núcleos para a gente poder entender, estancar qualquer tipo de crescimento desordenado, para a gente manter a nossa vocação turística. Este é o grande desafio.
Há muitos problemas de ocupações e moradias precárias?
Temos Vicente Carvalho II, 172 moradias, que já foi conveniado junto ao Governo do Estado: vamos recuperar ali um pedaço que ainda falta e vamos ter um bairro 100% reurbanizado. Temos o ponto da Chácara Vista Linda e Boracéia. Em Boracéia, através do PAC, com contrapartida do Município, já estamos fazendo topografia. Agora, temos o trabalho de contenção, através de um termo de ajuste de conduta, numa área que tem um embargo judicial. Temos a Operação Delegada junto com a Polícia Ambiental. Então, há fiscalização feita diariamente; a gente está conseguindo ter esse controle e, ao mesmo tempo, levar as políticas públicas.
Além do “crescimento ordenado”, quais outras prioridades?
A cidade passou, nessa última década, na linha de crédito, a gente tem que ir amortizando e fazendo a lição de casa que é sempre ter um orçamento saudável. A gente vem priorizando fazer os serviços essenciais chegarem à população. Na saúde, em 2025, entregamos 10 leitos de UTI, quatro salas de centro cirúrgico, 62 leitos de enfermaria. Deixamos o hospital em pleno funcionamento, na média e alta complexidade. Um tomógrafo dentro do pronto atendimento do pronto-socorro, duas telemedicinas, zeramos consultas e exames, descentralizando esse serviço. Bertioga é uma cidade muito extensa. A gente está falando do centro para o extremo norte, Boracéia, uma distância de 33 km. Temos reservado, homologado, recurso de uma unidade básica de saúde para Guaratuba e Boracéia. Então, dos 15% do orçamento que devem ser gastos na saúde, a gente está chegando a 30%.
Como a Administração trata a questão da mobilidade?
Temos uma cidade de 35 anos, nova, com muitos desafios pela frente. A gente criou a Secretaria de Mobilidade em fevereiro. Internamente, a gente tem trabalhado bem na questão da imobilidade. Hoje, são mais de 100 quilômetros de pavimentação, 44 quilômetros de faixa e ciclofaixa, que a cidade recebeu nessa última década. Vamos abrir agora um portal da Riviera, por dentro da cidade, que vai dar acesso à Avenida Anchieta, melhorando totalmente o fluxo para o trabalhador. Vamos tirar todo aquele fluxo de ciclistas que no pico do horário circula ali na rodovia Rio-Santos. Muito ciclista pelo acostamento, correndo risco. Dá praticamente 15 ou 18 quilômetros. Estamos participando com a concessionária da Rio-Santos (Concessionária Novo Litoral, CNL) do projeto de mobilidade. Eles nos apresentaram um esboço e a gente já fez alguns protocolos na Artesp (agência reguladora) de modificação de alçadas, elevatórias. A gente está tratando, também, para poder opinar, poder tratar essa mobilidade da rodovia junto com a nossa marginal, junto com a Avenida Anchieta e a Tomé de Sousa.
Qual o seu orçamento, prefeito, em 2026?
Nosso orçamento está em R$ 1,68 bilhão. Estamos com consulta pública para o orçamento participativo 2027. A ideia é a gente fazer a sociedade organizada, o terceiro setor, discutir o terceiro setor para auxiliar na questão de emendas, na questão de projetos, trazer mais parceiros. Cada vez mais, tudo acontece nos municípios. A saúde, que é 15% institucional, a gente está chegando a 30%; 25% já é obrigatório na educação. Folha de pagamento chega a 40%, 43%. Então, você tem que entrar na linha de crédito, que tem um limite. Depois, você tem que ir amortizando para criar investimentos. Hoje a gente chegou no limite máximo que é os 15%, o limite legal da Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas a gente está fazendo a lição de casa.
Fonte: Jornal Da Orla


