PUBLICIDADE

OMS diz que risco de pandemia provocada pelo hantavírus é baixo


A Organização Mundial da Saúde (OMS) tenta conter não apenas o avanço do surto de hantavírus registrado no navio de expedição MV Hondius, mas também o aumento do temor internacional de que o episódio possa representar o início de uma nova pandemia. Em diferentes comunicados e entrevistas nos últimos dias, a OMS reforçou que o risco global permanece baixo e que não há motivo, neste momento, para associar o caso à realidade vivida pelo mundo no início da Covid-19, em 2020.

O episódio começou a ganhar repercussão internacional após passageiros do navio apresentarem sintomas graves durante uma viagem iniciada em Ushuaia, na Argentina, e que percorreu áreas do Atlântico Sul e da Antártida. A embarcação levava 147 pessoas entre passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades. Até agora, a OMS confirmou casos ligados ao vírus Andes, uma variante rara do hantavírus identificada na América do Sul.

Segundo os relatórios divulgados pela OMS, oito casos foram registrados até o momento, incluindo três mortes. As autoridades sanitárias internacionais monitoram passageiros em diversos países após o desembarque do grupo em Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde começou uma grande operação de evacuação e rastreamento de contatos.

Apesar da repercussão mundial, especialistas destacam que o cenário é muito diferente daquele observado em vírus altamente transmissíveis, como o coronavírus. O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. A transmissão entre humanos é considerada rara e, segundo a OMS, só foi observada de forma limitada em algumas ocorrências envolvendo o vírus Andes.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um pronunciamento específico à população de Tenerife para tentar reduzir o clima de tensão criado pela chegada do navio à Espanha. No comunicado, ele afirmou que “não há evidências de transmissão sustentada na comunidade” e ressaltou que os protocolos internacionais adotados até agora vêm funcionando de forma adequada.

A entidade também enfatiza que o caso não representa um problema relacionado à indústria de cruzeiros como um todo. O próprio histórico da investigação aponta que as primeiras infecções provavelmente ocorreram antes do embarque, possivelmente durante visitas a áreas rurais da Argentina e do Chile, regiões onde o vírus já circula naturalmente em roedores silvestres.

Além disso, autoridades sanitárias internacionais destacam que navios modernos operam hoje sob protocolos de vigilância muito mais rigorosos do que os existentes antes da pandemia de Covid-19. O episódio do MV Hondius mobilizou rapidamente equipes médicas, laboratórios, sistemas internacionais de rastreamento e mecanismos de isolamento coordenados entre vários países.

Outro ponto ressaltado por especialistas é que o ambiente do navio permitiu justamente uma resposta sanitária mais controlada. Diferentemente de surtos espalhados em cidades ou aeroportos sem rastreamento definido, passageiros e tripulantes estavam identificados, monitorados e concentrados em um único grupo, o que facilitou o trabalho das autoridades de saúde.

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças afirmou que o risco para a população europeia é “muito baixo” e reforçou que hantavírus não se espalham facilmente entre pessoas. O órgão também destacou que medidas de prevenção e controle foram implementadas ainda durante a permanência da embarcação no Atlântico.

Nos Estados Unidos, passageiros transferidos para unidades de quarentena passaram a ser acompanhados em centros especializados de biocontenção em Nebraska e Atlanta. As autoridades americanas afirmaram que o monitoramento é preventivo e faz parte dos protocolos internacionais para doenças infecciosas raras.

A OMS admite que novos casos ainda podem surgir por causa do longo período de incubação do vírus, que pode chegar a várias semanas. Mesmo assim, a avaliação oficial continua classificando o risco global como baixo. Até agora, não há registro de transmissão comunitária ampla fora do grupo ligado diretamente ao navio.

Especialistas também observam que surtos envolvendo hantavírus permanecem historicamente limitados e localizados. A própria OMS lembra que a doença é conhecida há décadas e possui comportamento epidemiológico bastante diferente de vírus respiratórios capazes de provocar transmissão em massa.

Enquanto equipes médicas seguem monitorando passageiros e contatos próximos, autoridades internacionais tentam equilibrar vigilância e comunicação pública para evitar alarmismo. A orientação da OMS é que a população acompanhe apenas informações oficiais e não associe automaticamente o episódio a um risco iminente de nova pandemia mundial.

SOBRE O HANTAVIRUS

O vírus

O hantavírus é um grupo de vírus transmitido principalmente por roedores silvestres infectados. A contaminação humana acontece, na maior parte dos casos, pelo contato com urina, fezes ou saliva desses animais, especialmente em ambientes fechados, mal ventilados ou com acúmulo de sujeira.

Sintomas

Os primeiros sintomas costumam incluir febre, dores musculares, cansaço, dor de cabeça e mal-estar. Em casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para dificuldade respiratória intensa e comprometimento pulmonar, exigindo internação hospitalar.

Transmissão

A transmissão entre pessoas é considerada rara. Segundo a Organização Mundial da Saúde, apenas algumas variantes específicas, como o vírus Andes, registrado na América do Sul, apresentaram episódios limitados de contágio humano.

Prevenção

As principais medidas preventivas envolvem evitar contato com roedores, manter ambientes limpos e ventilados e utilizar proteção adequada na limpeza de locais fechados, como galpões, depósitos e casas abandonadas.

O cenário

Apesar da atenção internacional após os casos ligados ao navio MV Hondius, autoridades de saúde afirmam que o hantavírus possui baixo potencial de disseminação global e comportamento muito diferente de vírus associados a pandemias recentes.



Fonte: Jornal Da Orla

Leia mais

PUBLICIDADE