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Maternidade atípica ganha visibilidade em exposição em Praia Grande


A campanha Mães Atípicas: Retratos da Vida, idealizada pelo Instituto ALMAI, surge do diálogo direto com mães de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento. Em sua segunda edição, o projeto transforma experiências atravessadas por desafios e afetos em uma exposição que amplia a visibilidade, o reconhecimento e o acolhimento da maternidade atípica no Brasil.

A mostra fica em cartaz até 20 de maio, no Shopping Pátio Aviação, reunindo relatos e imagens que traduzem o cotidiano de mulheres, muitas vezes sozinhas, que enfrentam a criação de filhos com condições como autismo, síndrome de Down e paralisia cerebral.

O projeto surgiu de forma natural, como explica a sócia e diretora do instituto, Polyanna Oliveira Muniz. Ao assumir o atendimento inicial das famílias, ela se deparou com uma realidade até então distante. “Tive a oportunidade de testemunhar, de fato, a rotina dessas mães”, afirma.

Ao longo de um ano e meio, o contato direto revelou uma experiência marcada por sobrecarga emocional, desafios constantes e, sobretudo, pela ausência de escuta. “Muitas só queriam ser ouvidas”, relata.

A iniciativa se consolidou como um movimento de valorização de histórias frequentemente invisibilizadas. Um dos aspectos que mais chamaram a atenção da diretora foi a fragilidade da rede de apoio. “O abandono dos parceiros é um dado muito forte. Entre 70% e 80% dessas mães são abandonadas”, observa. A esse cenário se somam dificuldades financeiras, o alto custo dos tratamentos e a carência de políticas públicas eficazes — fatores que intensificam a exaustão emocional.

Diante disso, o instituto criou um setor específico de acolhimento. “Entendemos que não dá para cuidar da criança sem cuidar de quem cuida”, explica Polyanna. Hoje, o espaço promove palestras, workshops e rodas de conversa voltadas à saúde emocional das mães.

Histórias reais


A exposição surge como desdobramento direto dessa escuta. A ideia de ampliar o alcance das histórias ganhou força em 2025, com o objetivo de sensibilizar o público. “A sociedade ainda não tem noção do que essas mães enfrentam. Quando colocamos isso em exposição, as pessoas passam a olhar com outros olhos. É um trabalho de formiguinha”, afirma.

O impacto, no entanto, não se limita aos visitantes. Entre as participantes, o reconhecimento também se mostra transformador. “Foi muito emocionante vê-las sendo reconhecidas. O brilho nos olhos, por estarem sendo vistas, é algo muito forte”, conta.

O sucesso da primeira edição impulsionou a continuidade do projeto, que neste ano ganha novos desdobramentos, incluindo a produção de um documentário com relatos de mães de diferentes regiões do país. “Quando essas histórias ganham o formato de filme, o impacto emocional é ainda maior”, avalia.

A curadoria busca equilibrar dureza e esperança. “Queremos mostrar os desafios, mas também apontar caminhos, trazer luz. Isso pode inspirar outras mães”, explica. Para Polyanna, o que mais impressiona é a capacidade de reinvenção dessas mulheres.

Entre as participantes está Karine Menezes Fernandes Lima, mãe de Manuela, de 6 anos, diagnosticada com TEA nível 1 de suporte. Ela conta que percebeu um atraso na fala da filha entre os 2 e 3 anos, mesmo após o início da vida escolar. “Procurei um neurologista para investigar. Com o início das terapias, nossa rotina mudou completamente”, relata.

Segundo Karine, o acompanhamento foi fundamental para o desenvolvimento da criança. “Hoje vemos uma grande evolução. Ela se comunica melhor, interage mais”, diz. O atendimento no Instituto ALMAI, iniciado em dezembro de 2023, também foi decisivo nesse processo.

Participar da exposição, para ela, tem um significado especial. “Quis mostrar o quanto a maternidade é cuidado, amor e resiliência”.

A trajetória até a maternidade, no entanto, foi marcada por desafios. “A Manuela é um bebê arco-íris, um milagre na minha vida. O Dia das Mães, para mim, é sempre motivo de felicidade por ter realizado esse sonho”, afirma.

Impacto além da arte
Com entrada gratuita, a exposição reúne cerca de 100 relatos selecionados. Criada em homenagem ao mês das mães, a campanha ultrapassa o caráter artístico e se afirma como uma ação de impacto social.

Para a diretora, o legado do projeto se sustenta em dois pilares: o fortalecimento emocional dessas mulheres e a sensibilização da sociedade. “Essas mães vão lidar com esse diagnóstico a vida inteira. Se tiverem recursos internos, conseguem enfrentar isso de forma mais leve”, afirma.

Ao mesmo tempo, ela reforça a importância de ampliar o olhar coletivo. “Se a sociedade passa a agir com mais empatia e compaixão, cumprimos nosso papel”.



Fonte: Jornal Da Orla

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