O cenário econômico global segue pressionado por fatores externos e internos, com reflexos diretos sobre mercados emergentes. Segundo análise do Rabobank, as tensões geopolíticas voltaram a ganhar força após declarações do presidente dos Estados Unidos, que afastaram expectativas de desescalada no Oriente Médio e reacenderam temores sobre impactos no fornecimento de petróleo.
Esse ambiente contribuiu para a alta dos preços da commodity e ampliou a incerteza sobre os efeitos macroeconômicos globais. O foco das preocupações permanece na região do Estreito de Ormuz, enquanto as indefinições tarifárias continuam afetando o comércio internacional. No Brasil, o contexto é agravado por incertezas fiscais em um ano eleitoral, ainda que o arcabouço vigente esteja sendo ajustado de forma gradual.
No mercado cambial, o real apresentou valorização recente, com o dólar encerrando a semana em 5,1573, refletindo desempenho relativamente melhor entre moedas emergentes. Ainda assim, a projeção segue apontando para a taxa de câmbio em 5,55 ao final de 2026.
Indicadores de preços começam a refletir esse cenário. O IGP-M registrou alta de 0,52% em março, após queda no mês anterior, sinalizando impacto das tensões internacionais. Ao mesmo tempo, a atividade industrial mostrou continuidade na recuperação, com crescimento de 0,9% em fevereiro, marcando o segundo avanço mensal consecutivo no ano.
No campo fiscal, o governo central registrou déficit primário de R$ 30 bilhões em fevereiro, resultado que, apesar de negativo, não altera de forma significativa a trajetória das contas públicas. No acumulado do ano, o desempenho é melhor que o observado em 2025. Já o mercado de trabalho formal apresentou geração líquida de 255 mil vagas em fevereiro, abaixo do ritmo observado nos últimos anos. A agenda econômica segue com expectativa para a divulgação da inflação oficial de março, com projeção de 0,79% no mês, além dos dados da balança comercial.
Fonte: AGROLINK


