Um relatório apresentado nesta terça-feira (31) pela Digital News Association (DNA) revelou que o regime da Rússia treinou mais de mil criadores de conteúdo, jornalistas e influenciadores para atuar na disseminação de desinformação em países da América Latina.
Segundo o jornalista investigativo Jeffrey Scott Shapiro, coordenador do Alerta de Propaganda Russa da entidade, esses comunicadores foram capacitados pelo veículo estatal russo RT en Español e atuam em países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, México, Nicarágua e Venezuela.
De acordo com o relatório, essa rede se soma a cerca de 200 criadores de conteúdo hispânicos que estariam baseados na própria Rússia com a função de produzir e distribuir material voltado ao público latino-americano.
Conforme Shapiro, a estrutura digital ligada à Rússia possui amplo alcance nas redes sociais. Contas associadas à RT en Español e à Rádio Sputnik reúnem mais de 18 milhões de seguidores no Facebook e mais de 6 milhões no YouTube. Além disso, a investigação identificou pelo menos 16 sites considerados falsos, que simulam veículos de imprensa tradicionais para ampliar a disseminação de conteúdo.
A investigação publicada nesta terça foi realizada com o uso de ferramentas de inteligência artificial capazes de monitorar conteúdos em espanhol com características associadas ao aparato midiático patrocinado pelo Estado russo.
Especialistas apontam que a estratégia russa envolve adaptar narrativas ao contexto político de cada país. “Eles se ajustam à ideologia dos governos para semear divisões”, afirmou Gelet Martínez, fundadora da ADN Cuba e da ADN América.
Segundo Martínez, o objetivo central dessas ações é “polarizar, gerar desconfiança nas instituições e fragmentar as sociedades”.
Fonte: Revista Oeste


