O Kremlin disse nesta segunda-feira (13) respeitar o resultado da eleição parlamentar na Hungria, realizada no domingo (12), e que está disposto a continuar os contatos pragmáticos com Budapeste após a eleição do líder conservador Péter Magyar como primeiro-ministro da nação europeia, segundo afirmou o porta-voz da presidência da Rússia, Dmitry Peskov.
“A Hungria fez sua escolha. Nós a respeitamos”, disse Peskov durante sua coletiva de imprensa telefônica diária, acrescentando que o Kremlin “ouviu as declarações sobre a disposição ao diálogo”. “Naturalmente, isso será útil tanto para Moscou quanto para Budapeste”, indicou.
O Tisza, partido de Magyar, obteve 138 cadeiras no Parlamento da Hungria na eleição realizada neste domingo (eram necessárias cem para maioria na casa), contra apenas 55 do Fidesz do primeiro-ministro Viktor Orbán, que é atualmente o líder de governo mais longevo da União Europeia (UE) e que deixará o cargo de premiê após 16 anos.
Peskov alegou que a Rússia está interessada “em boas relações com a Hungria, assim como com todos os países da Europa”.
“Sabemos que em relação aos países europeus, por enquanto, lamentavelmente não podemos esperar reciprocidade, mas a Rússia está aberta ao diálogo”, sustentou.
Peskov descartou que a vitória de Magyar nas eleições legislativas húngaras influencie de algum modo a guerra na Ucrânia, diante da possibilidade de o novo governo húngaro desbloquear as ajudas a Kiev e o novo pacote de sanções à Rússia, travadas até agora por Orbán.
“Eu não penso que isso tenha relação alguma com as perspectivas do desenvolvimento do conflito russo-ucraniano. Trata-se, possivelmente, de processos diferentes, por isso não vejo que estejam relacionados de algum modo”, opinou.
Aliado do ditador russo, Vladimir Putin, Orbán é o maior crítico dentro da UE da ajuda militar e financeira à Ucrânia, em guerra contra os russos desde 2022.
Ele manteve as importações de energia da Rússia, se recusou a permitir o envio de armas para a Ucrânia através do território húngaro, se opôs às sanções da União Europeia ao petróleo e gás russos e resistiu à aprovação de pacotes de ajuda do bloco para Kiev.
Peskov afirmou que qualquer decisão de Bruxelas dirigida a instigar “as aspirações militaristas do regime de Kiev” não favorecerá a busca por uma solução pacífica.
“Os europeus não escondem sua política geral dirigida a continuar a guerra, propiciar por todos os meios a continuação da guerra. Nós, por outro lado, estamos focados em alcançar nossos objetivos no contexto da Ucrânia. Para nós, seria preferível alcançá-los por meio de negociações político-diplomáticas. Enquanto essas negociações não tiverem um resultado, continuará a operação militar especial”, afirmou, citando a expressão que o Kremlin utiliza para descrever a guerra.
A respeito do futuro do oleoduto Druzhba, que fornecia petróleo bruto russo à Hungria e a outros países europeus e atualmente está paralisado pela Ucrânia, comentou que essa é uma pergunta que deve ser feita à parte húngara.
No entanto, aproveitou a ocasião para insistir que “a Rússia é e continuará sendo um dos fornecedores mais confiáveis de hidrocarbonetos em nível mundial”.
Em seu primeiro discurso após a confirmação de sua vitória esmagadora, Magyar prometeu que o país centro-europeu será, sob seu governo, “um forte aliado da União Europeia e da Otan”.
Além da Rússia, o resultado de domingo também representou uma derrota para o presidente americano, Donald Trump, que fez postagens na rede Truth Social defendendo o voto em Orbán e enviou seu vice, J. D. Vance, para uma visita a Budapeste cinco dias antes da eleição.
No encontro com Orbán, Vance acusou a UE de tentar interferir na eleição húngara e buscar impedir a vitória do atual premiê.
Fonte: Revista Oeste


