A produção de grãos da China deve alcançar um novo recorde no ano comercial 2025-26, impulsionada por ganhos de produtividade e pela estratégia de autossuficiência alimentar. Mesmo com a oferta ampliada, a demanda interna continua em expansão, o que tende a sustentar a necessidade de importações de produtos básicos como milho, trigo e arroz. O cenário combina volumes históricos com desafios relacionados à qualidade da safra e ao equilíbrio de preços em um mercado que abastece uma população de cerca de 1,4 bilhão de pessoas.
A produção total de grãos é estimada em 715 milhões de toneladas, oito milhões acima do ciclo anterior. Dentro desse volume, o milho deve somar 301,2 milhões de toneladas, o trigo 140,1 milhões e o arroz beneficiado 146,3 milhões. O uso de grãos para ração e outros fins residuais deve crescer para 289,5 milhões de toneladas, alta anual de 6,5 milhões, favorecida principalmente pelos preços mais baixos do milho, que estimulam maior participação do cereal nas formulações.
Apesar desse avanço, problemas de qualidade na nova safra de milho, com registros de toxinas em cerca de 30 milhões de toneladas, têm levado compradores a substituir parte do consumo por trigo, sorgo e cevada. Ainda assim, o uso total de milho deve atingir 240 milhões de toneladas. A demanda por grãos de melhor padrão também levou à revisão para cima da previsão de importações de milho, agora estimadas em oito milhões de toneladas, apoiadas pela retomada de embarques da Ucrânia e pela redução de tarifas retaliatórias sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos.
No caso do trigo, o consumo deve permanecer em 150 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo, com importações projetadas em seis milhões de toneladas. O volume segue abaixo dos níveis observados em 2023-24, mas reflete a maior utilização do grão na alimentação animal, especialmente na avicultura, devido à proximidade energética com o milho e menor risco de contaminação. O movimento também inclui a diversificação de origens, com a chegada do primeiro carregamento comercial de trigo argentino e a abertura do mercado para farelo de trigo russo.
Para o arroz, os preços globais mais baixos tendem a estimular importações em 2025-26, ao mesmo tempo em que chuvas prolongadas reduziram a disponibilidade de arroz de alta qualidade no mercado doméstico. Esse quadro mantém os preços internos firmes e os estoques finais acima de 105 milhões de toneladas, em um país que divide com a Índia a liderança mundial na produção do cereal.
Fonte: AGROLINK


