A Embrapa e a Unipasto anunciaram o lançamento da BRS Carinás, primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens, nesta semana. A nova variedade é indicada para o bioma Cerrado e apresenta produção de até 16 toneladas de matéria seca por hectare, com destaque para a elevada produção de folhas e adaptação a sistemas integrados.
Entre as características, a cultivar apresenta baixa exigência em fertilidade do solo, com tolerância a ambientes ácidos e com baixos níveis de fósforo, além de maior capacidade de suporte animal e ganho de peso por área em comparação à cultivar Basilisk. Esses fatores ampliam o potencial de uso em sistemas de produção pecuária.
“É uma excelente alternativa para diversificar áreas hoje ocupadas pela cultivar Basilisk, também conhecida como ‘braquiarinha’. A Carinás se adapta bem ao período seco do ano e pode ser usada estrategicamente, como no planejamento de ser vedada no fim do verão e reservada para uso na época da seca”, afirma o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Sanzio Barrios.
A cultivar também pode ser utilizada em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), com produção de palhada e forragem destinada ao pastejo na entressafra. Segundo as instituições, o material não interfere na produtividade de culturas anuais, o que amplia sua aplicação em sistemas integrados.
Até então, a Basilisk era a única cultivar disponível da espécie Brachiaria decumbens no mercado brasileiro, tendo sido introduzida no país na década de 1960. A nova cultivar amplia as opções para produtores que utilizam essa espécie forrageira.
Em comparação com a Basilisk, a BRS Carinás apresenta maior desempenho produtivo. “Quando vedada para uso no período seco, a BRS Carinás oferece 40% a mais de massa de forragem em relação à cultivar Basilisk, da qual a maior parte [53%] é material vivo [folhas e hastes]”, explica o pesquisador da Embrapa Cerrados, Allan Kardec Ramos.
Testes indicaram que a cultivar não apresentou acamamento, mesmo em áreas vedadas ou sob crescimento livre, característica relevante para materiais com maior porte e produção de forragem. Esse comportamento contribui para a manutenção da qualidade e facilidade de manejo.
Em relação à tolerância ao encharcamento, ensaios iniciais mostraram desempenho semelhante ao de outras cultivares amplamente utilizadas, com novos testes previstos em condições de solos mal drenados para ampliar a avaliação agronômica.
Em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária, a BRS Carinás demonstrou compatibilidade com culturas anuais, sem competição significativa, conforme testes realizados em consórcio com milho, o que reforça seu potencial de uso em sistemas produtivos diversificados.
As sementes da nova cultivar serão disponibilizadas por meio dos associados da Unipasto, com oferta prevista já no início do segundo semestre, permitindo a adoção pelos produtores no primeiro ano após o lançamento.
Fonte: AGROLINK


