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Praça dos Andradas – Jornal da Orla


Lembro-me como se fosse hoje, década de 50, acompanhava minha mãe Catharina, quando vinha na cidade, receber mensalmente sua pensão do IAPI, na Rua Amador Bueno, era um passeio agradável, viajar de bonde e apreciar as coisas boas da cidade, sem contar a brisa em nossos rostos, amenizando o calor.

Depois de ser atendida, numa enorme fila, minha mãe guardava o dinheiro na bolsa, e agora era tomar um lanche nas Lojas Americanas, no mesmo lugar de hoje, seguindo adiante, chegava na Praça dos Andradas, na época estranhei, só vi o busto de Getúlio Vargas, minha mãe, não soube me explicar esse motivo do nome da praça.

Mas, o principal estava por vir, era localizar as preguiças no alto das arvores, muitos curiosos, olhando para cima, e de repente, um grito, alguém localizou uma preguiça, íamos de um lado para outro, confesso, até ficava com torcicolo.

E, nesse espaço de tempo, observei os lambe-lambe, para os jovens de hoje, eram os fotógrafos ambulantes, com sua máquina em um tripé, um pano encardido, cobria a sua cabeça e a máquina na hora de fotografar, e tudo estava pronto para a foto 3 x 4 branco e preta, colorida não existia, atras do freguês, um suporte, com um pano que já foi branco em algum dia, servia de fundo.

As pessoas reclamavam da qualidade da foto, as vezes saia bem diferente, a desculpa era que nem deu para retocar, colocava em um varal para secar, durava meia hora para ficar pronta, e dizia para o seu freguês: – Dá tempo para ir ver o Teatro Guarani, ou fazer compras na Sears, Casa Regente, ou conhecer a Mercearia Natal, uma loja tradicional de secos e molhados, com artigos importados, na esquina da Amador Bueno com Frei Gaspar.

Quando uma pessoa dizia que queria tirar um retrato, ele não gostava e dizia, que isso, era coisa de antigamente, meu negocio é fazer fotos, a vida do lambe-lambe era dura, sua rotina de trabalho era suspender a tampa de madeira da máquina, puxava a objetiva, com um pano que cobria a sua cabeça, ajustava tudo, e dava a primeira espiada preliminar, o cliente, tinha que ficar em posição de sentido por alguns minutos, ficando tenso, sob os olhares de curiosos, como eu e minha mãe.

Do outro lado da praça, vimos um amontoado de gente, como curiosos, era nada mais que um mascate (vendedores da época) vendendo todo tipo de pomada, para dores lombares, espinhela caída, extração de calos e olho de peixe, pomada até para crescer cabelo, as pessoas acreditavam, tinha até pessoas que confirmavam a veracidade (comparsa), depois de vender seus produtos, ele sumia, ia para uma outra praça, enganar os incautos.

E, assim, era passar uma tarde na Praça dos Andradas, reduto de grandes memórias, que o tempo não apagou…



Fonte: Jornal Da Orla

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