Segundo a análise do especialista da Grão Direto, divulgada nesta segunda-feira (26), o mercado de milho entra na semana com atenção concentrada na janela de plantio da safrinha e nos fatores macroeconômicos que podem influenciar os preços. O cenário climático e as decisões de política monetária são apontados como determinantes para o comportamento das cotações no curto prazo.
No caso da safrinha, o foco do mercado se volta integralmente para o andamento do plantio. As chuvas intensas previstas para esta semana no Centro-Oeste garantem umidade adequada para a germinação do milho recém-semeado, mas, ao mesmo tempo, atrasam a colheita da soja e o avanço do plantio do cereal. De acordo com a análise, “o mercado ficará atento a cada dia de atraso, pois isso empurra o ciclo do milho para períodos de maior risco climático mais à frente”.
Outro ponto de atenção é a chamada “Super Quarta”, com decisões de juros no Brasil e no exterior. A avaliação é de que, caso o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa Selic em 15% ao ano e adote um comunicado mais rígido, o custo de carregamento do milho continuará elevado. “Nesse cenário, produtores que precisam de caixa tendem a vender mais rapidamente, o que pode pressionar as bases no interior”, destaca o especialista.
No mercado internacional, a orientação é de acompanhamento próximo das cotações em Chicago. A análise aponta que a Bolsa de Chicago (CBOT) tem encontrado suporte na demanda e na estabilidade do petróleo. Segundo o relatório, “uma eventual alta do petróleo, motivada por tensões geopolíticas, pode sustentar o milho via etanol”, oferecendo um piso às cotações na B3, com suporte próximo de R$ 70,00 por saca no mercado futuro.
Diante desse conjunto de fatores, a expectativa para a semana é de um mercado mais cauteloso, assimilando os números positivos da safra de verão e da safrinha. A tendência indicada é de possível recuo gradual das cotações ao longo dos próximos dias.
No campo macroeconômico, esta é a semana da “Super Quarta”, marcada pelas decisões de juros do Federal Open Market Committee (FOMC), nos Estados Unidos, e do Copom, no Brasil. A expectativa majoritária é de manutenção da taxa norte-americana entre 3,50% e 3,75%, enquanto, no Brasil, o consenso do mercado projeta a Selic estável em 15% ao ano.
Para o produtor, o cenário exige cautela, especialmente diante do comportamento do dólar. A moeda norte-americana encerrou a semana anterior com volatilidade, oscilando entre R$ 5,30 e R$ 5,40. A análise aponta que uma postura mais firme do Banco Central pode atrair capital externo e pressionar o dólar para baixo no curto prazo, “o que tende a corroer os preços dos grãos em reais”.
Além disso, o custo de oportunidade segue elevado. Com a Selic em 15%, manter o grão armazenado representa um custo significativo. Segundo a Grão Direto, é fundamental que o produtor acompanhe de perto as oscilações do mercado e avalie seus custos de produção. A recomendação é aproveitar a volatilidade da semana de decisões do Copom para fixar preços quando as cotações estiverem alinhadas a uma margem considerada sustentável.
Fonte: AGROLINK


