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Mercado de biológicos deve avançar 17% em 2026


O mercado de biológicos no Brasil segue em expansão, com aumento do número de empresas, avanço da adoção no campo e perspectiva de novo crescimento em 2026. Segundo dados apresentados no 3º Workshop de Inteligência de Mercado da ANPII Bio mostram que o setor ganhou quase 50% mais empresas nos últimos três anos e hoje reúne 200 companhias formalmente registradas no Ministério da Agricultura, além de mais de 1.500 produtos biológicos registrados.

Segundo Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão, o cenário confirma que o segmento continua promissor, mesmo em meio a um ambiente de maior competição e pressão sobre margens. “Os dados apresentados no terceiro Workshop de Inteligência de Mercado da ANPII Bio mostram claramente que o setor de biológicos continua a crescer e ainda apresenta grandes oportunidades no mercado brasileiro”, afirma.

De acordo com os dados apresentados no evento, os inoculantes lideram o número de registros no país, seguidos por biodefensivos e biofertilizantes. Na prática, isso indica não apenas o avanço no número de players, mas também uma ampliação do portfólio tecnológico disponível ao produtor rural.

Para Anderson, esse movimento mostra que o mercado brasileiro de biológicos está amadurecendo em várias frentes. “Atualmente temos 200 empresas nesse segmento no Brasil que possuem mais de 1.500 produtos biológicos registrados. Esses produtos são principalmente inoculantes, que são a categoria com mais produtos registrados, seguidos por biodefensivos e por biofertilizantes, mostrando que o setor cresce em número de players, de produtos e de tecnologias disponíveis para os produtores”, destaca.

Crescimento em valor desacelera, mas volume avança com força

Embora o setor siga em expansão, os números de 2025 revelam um descompasso entre crescimento em volume e em valor. Segundo relatos de associados da ANPII Bio, as vendas em valor cresceram cerca de 8% no ano, enquanto o volume comercializado avançou 18%, próximo de 20%.

A diferença reflete um mercado mais competitivo, com maior adoção dos produtos biológicos, mas sob pressão de preços. “Os associados da ANPII Bio relataram um crescimento menor nos valores de vendas praticados no mercado no ano de 2025, na casa de 8%, mas um crescimento de volume de produto comercializado no mercado de 18%, próximo a 20%”, explica Anderson.

Na avaliação dele, isso mostra que o uso de biológicos está avançando de forma consistente nas lavouras, embora o ganho financeiro das empresas não acompanhe o mesmo ritmo. “Isso mostra que, em adoção, o volume de produtos utilizados no avanço é bastante significativo, mas, devido à pressão competitiva, os preços são mais baixos do que os observados anteriormente. Por isso, há um certo descompasso entre o crescimento de volume e o crescimento de valor de vendas”, completa.

Mesmo diante de desafios ligados a crédito, estoques e retorno sobre investimento para o produtor, a expectativa da indústria continua positiva. Para 2026, as empresas ligadas ao setor projetam crescimento de 17% em relação a 2025.

A aposta está sustentada na ampliação da capacidade industrial, no reforço das equipes técnicas e na estratégia de expansão da adoção nas principais culturas do país. “Mesmo nesse cenário, com muitos desafios de crédito, de estoques e de retorno sobre investimento para os produtores, para 2026 as indústrias projetam a continuidade de crescimento na casa de 17% com relação a 2025”, afirma Anderson.

Ele ressalta que esse otimismo está apoiado em investimentos já em curso. “Esse dado reforça o otimismo das indústrias e reflete também o contínuo investimento que elas vêm fazendo nas suas operações industriais, capacidade operacional, número de agrônomos, de pesquisadores, de representantes técnicos comerciais no campo e suas estratégias de mercado”, diz.

A estratégia da indústria mira tanto culturas já consolidadas no uso de biológicos quanto novos espaços de expansão. Soja e milho seguem entre os principais vetores de crescimento, mas outras cadeias também entram no radar com mais força.

Segundo Anderson, o avanço se apoia na ampliação do uso dos bioinsumos em diferentes sistemas produtivos. “As estratégias de mercado são baseadas em aumento da adoção dos bioinsumos nas culturas tradicionais, como soja e milho, mas também no crescimento em culturas como cana, algodão, café, sorgo, entre outras”, afirma. Esse movimento ajuda a explicar por que, mesmo com margens mais apertadas, o setor mantém perspectiva positiva. A leitura do mercado é que a expansão da base de uso no campo ainda deve sustentar um novo ciclo de crescimento.

Indústria nacional domina oferta de biológicos

Outro dado relevante apresentado no workshop é o peso da indústria brasileira no abastecimento desse mercado. Hoje, 85% dos biológicos utilizados no Brasil são produzidos internamente, enquanto apenas 15% são importados.

Para Anderson, esse dado reforça a robustez da cadeia nacional e a sua capacidade de resposta às necessidades do produtor. “A indústria brasileira responde por 85% dos biológicos utilizados aqui no Brasil, então ela é majoritária, com apenas 15% de produtos biológicos importados”, observa.

Ele acrescenta que boa parte da expansão recente foi absorvida pela própria indústria instalada no país. “Do crescimento observado nos últimos anos no Brasil, a maior parte foi absorvida por aumento de capacidade da indústria nacional, o que mostra que nós temos uma capacidade instalada muito robusta e uma capacidade de adaptação, de velocidade para responder aos desafios que os agricultores brasileiros trazem do campo de maneira muito rápida e muito ágil”, diz.





Fonte: AGROLINK

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