O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) atendeu ao pedido do Grupo Fictor e autorizou a abertura de processo de recuperação judicial. A partir da abertura, a Fictor Holding e a Fictor Invest – que juntas declararam um passivo de mais de R$ 4 bilhões – terão um prazo de 60 dias para apresentarem um plano aos credores.
Segundo informou o jornal Folha de S. Paulo, a juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJSP, apontou em despacho que possíveis questionamentos sobre outras empresas ligadas ao grupo serão esclarecidos no decorrer da recuperação judicial.
No mesmo despacho, a magistrada determina que cobranças e execuções de dívidas devem ser suspensas por um prazo de 180 dias. O principal objetivo da decisão, esclareceu Jacomini, é proteger os credores da Fictor.
“Diante do cenário de crise de liquidez severa, com resgates que atingiram R$ 3 bilhões, e da complexidade da estrutura do Grupo Fictor, o Parquet opinou pela recuperação judicial. Nesta situação de crise econômico-financeira, o indeferimento do pedido traria a consequente insolvência do grupo motivada por execuções individuais que, de modo amplo, seria prejudicial também aos demais credores que eventualmente viriam a não satisfazer seus créditos”, detalhou a juíza.
Pedido de recuperação judicial da Fictor foi feito em fevereiro
O pedido de recuperação judicial foi protocolado em fevereiro. A princípio, a Justiça havia concedido uma liminar para suspender retenção, arresto, penhora e sequestro dos bens dos devedores. Segundo dados do processo, seriam mais de 13 mil clientes e credores com recursos aplicados no Grupo Fictor.
Em 17 de novembro de 2025, a Fictor Holding Financeira anunciou, em comunicado, a intenção de compra do Banco Master, com aporte de R$ 3 bilhões. A operação seria realizada em consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos com ativos que somariam mais de US$ 100 bilhões. Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi preso em março de 2026 por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças e fraudes financeiras.
Fonte: Gazeta do Povo


