A escalada militar no Oriente Médio, com ataques contra o Irã, fez o preço do petróleo disparar, superando os US$ 100 nesta segunda-feira (9). O movimento atinge diretamente o Brasil, pressionando a inflação e ameaçando o planejamento do governo para o primeiro trimestre de 2026.
Por que o preço do petróleo subiu tanto e como isso chega ao Brasil?
A alta foi causada por conflitos no Oriente Médio, especificamente ataques dos EUA e Israel ao Irã, região vital para a produção mundial. No Brasil, o impacto é sentido quase na hora nas bombas de gasolina. Como o petróleo é uma mercadoria global cotada em dólar, quando o preço internacional sobe, a Petrobras sofre pressão para repassar esse custo, afetando o bolso do consumidor brasileiro.
Como a alta dos combustíveis ateta o preço dos alimentos?
O grande vilão aqui é o diesel. Como cerca de 80% das cargas no Brasil viajam por caminhões, se o diesel fica mais caro, o frete sobe. Para não ter prejuízo, produtores e supermercados repassam esse custo adicional para os produtos. Assim, a crise no Oriente Médio acaba encarecendo desde o arroz e o feijão até itens industriais e serviços básicos.
Quem são os mais atingidos no setor do agronegócio?
Os produtores de soja e milho estão entre os mais expostos. O Brasil importa a maioria dos fertilizantes que usa, e o Oriente Médio é um fornecedor chave de ureia. Com ataques a plantas de gás na região, o preço desse insumo saltou. Somando o gasto maior com adubo e o diesel mais caro para o maquinário, o custo de produção agrícola sobe, reduzindo a rentabilidade do campo.
O que acontece com os juros e a taxa Selic nesse cenário?
O Banco Central usa a taxa Selic para controlar a inflação. Antes da crise, esperava-se um corte nos juros para estimular a economia. Agora, com a ameaça de preços subindo por causa do petróleo, especialistas acreditam que esse corte será menor ou que os juros nem serão reduzidos por enquanto. Isso torna o crédito mais caro e pode frear o crescimento econômico do país em 2026.
Existe algum efeito positivo para o Brasil no meio dessa crise?
Curiosamente, o real pode se beneficiar. Em momentos de instabilidade nos Estados Unidos, grandes investidores buscam outros lugares para colocar seu dinheiro, o que pode atrair capital para países latino-americanos. No entanto, esse benefício é limitado, e economistas ainda projetam que o dólar pode continuar em um patamar elevado até o fim de 2026 devido ao risco global.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Fonte: Gazeta do Povo


