O governo federal avalia um novo aporte de até R$ 6 bilhões nos Correios para tentar reduzir o rombo bilionário da estatal, enquanto aguarda os resultados iniciais do plano de recuperação financeira em andamento. A decisão, segundo a ministra Esther Dweck, da Gestão, deve ocorrer ainda neste ano, em 2027 ou de forma parcelada, dependendo da evolução das medidas adotadas pela empresa.
A estatal enfrenta uma crise financeira considerada grave, com expectativa de que o prejuízo ultrapasse os R$ 6 bilhões já registrados até o terceiro trimestre do ano passado. Diante desse cenário, o governo opta por aguardar sinais concretos de recuperação antes de liberar novos recursos públicos.
“Nossa expectativa é de que se a recuperação dos Correios for boa, ela consiga reduzir mais custos, ter mais contratos, diminuir a necessidade de aporte”, disse em entrevista à Reuters.
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No fim do ano passado, os Correios anunciaram a captação de R$ 12 bilhões em empréstimos com garantia do Tesouro Nacional para reforçar o caixa. O pacote inclui ainda um plano de reestruturação que prevê demissões, fechamento de agências, venda de imóveis e busca por novas fontes de receita.
Além do ajuste interno, a empresa negocia parcerias com instituições financeiras para ampliar sua atuação em serviços bancários. As conversas envolvem tanto a Caixa Econômica Federal quanto bancos privados, numa tentativa de diversificar receitas e reduzir a dependência de recursos do governo.
Como parte do plano de enxugamento, os Correios iniciaram a venda de imóveis considerados ociosos em diversas regiões do país. Os primeiros lotes já foram disponibilizados em leilões digitais, abertos a pessoas físicas e jurídicas, até o dia 26 de fevereiro.
Os ativos fazem parte da primeira fase da reestruturação e incluem prédios administrativos, galpões, terrenos, lojas e até apartamentos funcionais. Ao todo, mais de 60 imóveis devem ser colocados à venda ao longo do ano, com possibilidade de ampliação conforme novos bens forem liberados.
Os valores variam significativamente, partindo de R$ 19 mil por um terreno no Ceará até R$ 11,11 milhões por um prédio comercial em Fortaleza. Em São Paulo, um imóvel abandonado no centro, com pendências e dívida de IPTU superior a R$ 1,4 milhão, está sendo ofertado por R$ 7,2 milhões.
Segundo a estatal, os recursos arrecadados com os leilões serão usados para “fortalecimento das operações, à modernização da infraestrutura logística e à sustentabilidade de longo prazo da empresa”. A empresa também garante que a venda dos ativos não afetará a prestação de serviços à população.
Fonte: Gazeta do Povo


