A paixão pelo futebol fez de mim, um ser esportivo, porque não dizer fanático pela bola, não me considerava um cabeça de bagre, porém sempre fui persistente, em tudo que fazia nas quatro linhas, quando no campo gramado, porque na praia era do paredão até a maré, quando vazava.
Nosso estádio era a praia do Itararé, década de 70, sábados as 15 horas, conseguimos formar um grupo de atletas, que naquele dia era sagrado, as traves ficavam no Posto de Salvamento, e os primeiros a chegarem, eram os carregadores das traves e montagem do campo.
Entra ano e sai ano, todos marcavam o ponto nas areias cristalina do Itararé, cada jogo era uma decisão, os times eram escalados da seguinte forma: fazia um risco no chão, e os atletas eram escalados conforme sua posição, goleiro, lateral, meio de campo, atacantes, as vezes, saia briga já na escalação, pois um time era mais forte que o outro.
Alguns atletas marcaram em minha mente, ao formar os times, sempre faltava o goleiro, um era o Walter, e no outro time colocava o Janjão, um bom rapaz, que tinha deficiência mental, mas não fazia mal a ninguém, por alguma infelicidade, ao sofrer um gol, mandavam tirar o Janjão, até a chegada de um novo goleiro.
De tanto jogar juntos, alguns atletas deixaram marcas, Romildo, um tanto fora de peso, lembrava Ademir da Guia, com seus passes precisos, Alexandre e Miranda dominavam a zaga, no meio de campo Madeira, Silvio, Renato, Forlan, Neco, Nenê, e os atacantes, Naldo, Netinho, Garrincha, Jaiminho, Jorge, este cronista que relata os fatos, Solinei, Maguila, Maurilio, e os que nos deixaram saudades, Oseas, Zequinha, Ruivo e Virgílio.
O futebol de praia, era a nossa terapia semanal, éramos alegres e amigos, fora de campo, havia briga, xingamentos, um atleta jogava a bola para o fundo do mar, para acabar o jogo, enfim, no final da peleja, todos cansados e nervosos, tomávamos um banho de mar, para aliviar os ânimos e fazia nossa confraternização, com muitas cervejas e risadas, o futebol era mero detalhe, para fortalecer nossa amizade.
Hoje, passados cinquenta anos, vivemos de boas recordações e fotos, há vinte anos atras, criamos o GAPI-Grupo de Amigos da Praia do Itararé, que permanece até hoje, porém sem futebol, apenas a amizade e saudades dos bons tempos, para mim, um apaixonado por futebol, alguns amigos e devido minha doença, confessam perdemos o ponta direita no futebol, mas ganhamos um escritor, para relatar nossos fatos, que ficarão sempre nos anais da nossa história.
Essa amizade há mais de cinquenta anos, nos deixa feliz, hoje somos avôs, e para nossos filhos e netos, lembramos de um passado, que o futebol era nossa distração, e o principal, uma amizade que o tempo não apagou e nem foi deletado pela memória.
Fonte: Jornal Da Orla


