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EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bi


A USA Rare Earth, companhia listada na Nasdaq, fechou nesta segunda-feira (20) acordo para adquirir a Serra Verde, detentora da única mina de terras raras em funcionamento no Brasil.

O valor total da operação chega a US$ 2,8 bilhões, estruturada em duas partes: US$ 300 milhões pagos à vista e a transferência de 126,8 milhões de novas ações da compradora aos atuais sócios da mineradora brasileira. O fechamento da operação depende de aprovações regulatórias e deve ocorrer até o fim do terceiro trimestre deste ano.

A mina Pela Ema, localizada no norte de Goiás e operada pela Serra Verde, é o único depósito de argila iônica em produção fora da Ásia. Segundo projeções da própria compradora, o volume extraído no local deverá responder por mais da metade de toda a oferta global de terras raras pesadas produzida fora do território chinês até 2027.

A operação entrou em regime comercial em 2024, depois de mais de US$ 1,1 bilhão investidos ao longo de mais de uma década de desenvolvimento. Toda a produção atual é destinada ao mercado chinês.

A transação acontece em meio a uma disputa crescente entre Washington e Pequim pelo controle de minerais considerados estratégicos para a economia e a segurança nacional.

O domínio chinês no setor é expressivo: o país responde por mais da metade de toda a extração mundial e detém capacidade de processar e refinar quase a totalidade do material disponível no planeta. Diante disso, governos ocidentais e empresas privadas correm para montar cadeias de suprimento alternativas.

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Brasil entra no centro da disputa global por minerais estratégicos

Com reservas estimadas entre as maiores do mundo e ritmo de produção ainda baixo, o Brasil passou a ocupar posição de destaque nessa corrida. O acordo garante à USA Rare Earth acesso a um dos depósitos mais completos fora do continente asiático — capaz de fornecer os quatro elementos magnéticos usados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, presentes em veículos elétricos, turbinas eólicas, drones e equipamentos militares.

Junto ao anúncio da aquisição, a Serra Verde também divulgou um contrato de fornecimento com duração de 15 anos firmado com uma empresa de propósito específico capitalizada por agências do governo americano e por investidores privados.

O acordo prevê a entrega de 100% da produção inicial da mina e estabelece preços mínimos garantidos para cada um dos quatro elementos magnéticos produzidos.

O financiamento da expansão operacional já estava assegurado: em fevereiro, o DFC (Development Finance Corporation), braço de crédito do governo dos EUA, elevou seu compromisso com a Serra Verde para US$ 565 milhões, obtendo em contrapartida o direito de converter parte do empréstimo em participação acionária.

O negócio integra uma sequência de movimentos recentes no setor. Em janeiro, a americana Energy Fuels apresentou proposta de US$ 299 milhões para comprar a australiana Strategic Materials, com o objetivo de montar uma cadeia produtiva completa nesse segmento.

Já no início de abril, a própria USA Rare Earth comprou 12,5% do capital da francesa Carester, especializada em separação e processamento de terras raras.

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USA Rare Earth aposta em cadeia integrada para competir com Pequim

Até agora, a USA Rare Earth não tinha nenhuma mina própria em funcionamento. Com a incorporação da Serra Verde, a companhia passa a cobrir todas as etapas do processo produtivo — extração, separação, metalização e fabricação de ímãs —, modelo conhecido como integração vertical. A empresa já mantém uma fábrica em Stillwater, Oklahoma, e desenvolve o depósito em Round Top, no Texas.

“A mina Pela Ema é um ativo único e o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos de terras raras magnéticos em grande escala”, declarou Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth, em comunicado oficial.

Com a conclusão do negócio, Mick Davis, atual presidente do conselho da Serra Verde, assumirá assento no conselho de administração, enquanto Thras Moraitis, hoje CEO da mineradora brasileira, tornará presidente da empresa americana.

“Se esses problemas não fossem resolvidos, o setor não teria perspectivas realistas de atender às crescentes necessidades da tecnologia que definirá o futuro”, afirmou Moraitis em teleconferência com investidores.



Fonte: Gazeta do Povo

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