Em um cenário em que a formação acadêmica ultrapassa fronteiras e se torna cada vez mais estratégica para jovens brasileiros, estudar no exterior deixa de ser apenas um diferencial para integrar o planejamento de carreira. Flexibilidade na escolha do curso, vivência multicultural, acesso a redes globais de contato e proximidade com grandes centros econômicos estão entre os principais atrativos que impulsionam essa busca. Em visita à CaliCultural Intercâmbio, em Santos, o diretor regional global da Florida International University (FIU), David Lecon, detalhou, em entrevista ao Jornal da Orla, como o ensino internacional – especialmente nos Estados Unidos – vem se consolidando como porta de entrada para o mercado global, além de comentar o crescimento do interesse de estudantes brasileiros por essa experiência.
O que diferencia o ensino internacional do modelo tradicional brasileiro?
São muitos os diferenciais, mas o que mais chama a atenção dos estudantes brasileiros é a flexibilidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, é possível mudar de curso ao longo dos dois primeiros anos de graduação. Isso acontece porque os chamados majors compartilham uma base comum de educação geral, bastante sólida. Esse modelo permite ao estudante experimentar diferentes áreas antes de tomar uma decisão mais assertiva sobre sua formação.
Estudar no exterior prepara melhor para o mercado global? De que forma um diploma americano impacta a carreira de um brasileiro?
Sem dúvida. Um dos principais ganhos é o acesso a uma rede global de contatos, que amplia significativamente as oportunidades profissionais. Em cidades como Miami, onde estão sediadas diversas empresas com atuação no Brasil, esse networking se torna ainda mais estratégico. Além disso, durante a graduação, os alunos são incentivados a participar de associações estudantis ligadas às suas áreas de interesse, como a American Marketing Association, clubes de empreendedorismo e finanças, entre outros.
O que explica o crescimento do interesse de brasileiros pela Florida International University?
Miami abriga uma comunidade expressiva de brasileiros, com mais de 400 mil expatriados, muitos deles em posições de liderança. O Brasil é um mercado estratégico para diversas empresas sediadas na cidade, e a universidade está atenta a esse cenário. A proposta da instituição é justamente contribuir para a formação de uma nova geração de líderes brasileiros com atuação global.
Como a educação bilíngue no Brasil tem influenciado essa busca por formação internacional?
Cada vez mais famílias brasileiras têm investido em educação bilíngue, já com a perspectiva de preparar os jovens para carreiras internacionais. Esse tipo de formação amplia horizontes, fortalece competências linguísticas e culturais e torna o estudante mais competitivo em um cenário global.
Quais áreas têm atraído mais estudantes internacionais?
Isso varia de acordo com a nacionalidade. Entre os brasileiros, os cursos na área de negócios ainda lideram a procura. De forma geral, nos Estados Unidos, cresce a demanda por formações ligadas à tecnologia e às ciências.
Existem programas de bolsas para brasileiros?
Sim, há diversas oportunidades de bolsas de estudo. Em alguns casos, o custo total para estudar em uma universidade como a FIU pode se equiparar ao de uma instituição privada no Brasil, somado ao custo de vida em cidades como São Paulo.
Quais são os principais desafios de estudar fora?
A adaptação inicial costuma ser o maior desafio. Trata-se de um novo sistema de ensino, muitas vezes a primeira experiência longe da família, além da imersão em outra língua e cultura. Nos Estados Unidos, os estudantes são tratados como adultos desde o primeiro dia, o que exige autonomia. Por isso, é fundamental contar com suporte, especialmente nas primeiras semanas. Instituições bem estruturadas oferecem apoio acadêmico, emocional, social e profissional para garantir uma transição bem-sucedida.
Como você vê o futuro do intercâmbio entre Brasil e Estados Unidos?
Os Estados Unidos seguem como um dos principais destinos para estudantes internacionais, e os dados indicam que essa tendência continua em crescimento. Com mais de 4 mil universidades, o país oferece opções para diferentes perfis e objetivos. Além disso, há um imaginário cultural forte associado à experiência universitária americana, que também influencia essa escolha.
Que conselho daria a um jovem que deseja construir uma carreira internacional?
É possível trilhar esse caminho sozinho, mas contar com orientação especializada faz toda a diferença. Ter acesso a informações qualificadas, compreender as diferenças culturais e saber identificar as melhores oportunidades contribui para uma experiência mais rica e bem-sucedida — e evita erros comuns ao longo do percurso.
Fonte: Jornal Da Orla


