A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) participou de entrevista coletiva realizada na manhã desta quinta-feira (5) na Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre (RS), com a participação também de representantes do Instituto Rio-Grandense do arroz (Irga) e da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi). Na pauta, a divulgação de medidas conjuntas das entidades para reverter a difícil situação enfrentada pela cadeia orizícola do Rio Grande do Sul.
Em apresentação realizada pelo economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, foram destacadas sete medidas elaboradas em conjunto para o curto e médio prazo, com o objetivo de reverter o quadro. Entre elas, estão a difusão, com clareza e transparência, da preocupação das entidades com o cenário para 2026 e a recomendação de redução da área plantada.
Também foram citadas a busca por mecanismos de comercialização; o uso da CDO como estímulo às exportações; a proposta de redução temporária do ICMS, no período de maior comercialização, para melhorar a competitividade frente ao Paraguai; a proposta de desconcentração dos vencimentos de CPRs em 30 de março e 30 de abril, junto às indústrias, revendas e empresas multinacionais; o alongamento de custeios junto às instituições financeiras; e ações de pesquisa, divulgação e combate à venda de arroz fora do tipo especificado na embalagem.
O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, destacou a postura das entidades de antecipar cenários e propor soluções. “Fomos surpreendidos por uma das contingências mais difíceis dos últimos tempos na cadeia arrozeira. Em 2025, tivemos uma das maiores colheitas do Mercosul e também uma produção elevada em nível mundial. Isso pressionou os preços”, recordou.
Nunes citou ainda a entrada da Índia no mercado internacional, o que agravou o cenário ao deprimir os valores no mercado global e, consequentemente, na América do Sul, especialmente no Mercosul. “Somado a isso, tivemos uma supersafra, crédito difícil e juros altos. Esse conjunto de fatores nos levou a uma situação extremamente delicada, com uma recessão muito negativa nesta safra, que se arrasta até 2026. Esse cenário resultou em um endividamento significativo dos produtores”, concluiu.
O presidente da Federarroz afirmou que o setor tem trabalhado dentro da lógica de simetria do Mercosul. “A indústria do Rio Grande do Sul perdeu, nos últimos anos, uma parte importante do seu beneficiamento para indústrias de Minas Gerais e São Paulo, que não produzem arroz, mas importam grandes volumes do Paraguai. Esse é um tema que precisa ser enfrentado”, ressaltou.
Nunes destacou que a Federarroz já conta com uma comissão específica dedicada a estudar o Mercosul, identificar assimetrias e buscar soluções junto aos governos estadual e federal. “Temos produtividade elevada, mas não conseguimos competir em preços com nossos vizinhos, e isso precisa ser corrigido”, afirmou. O dirigente acrescentou que o setor também trabalha a questão do ICMS, buscando condições que tornem a cadeia mais competitiva.
Outro assunto abordado pelo presidente da Federarroz foi o estudo em andamento para o uso do arroz na produção de etanol. “Por meio da Câmara Setorial, encaminhamos solicitação à Assessoria de Assuntos Estratégicos da Presidência da Embrapa para que, via Embrapa Agroenergia, possamos aprofundar os estudos sobre o uso do arroz para etanol. Além disso, essa mesma assessoria está avaliando outros destinos e finalidades para o arroz”, adiantou.
Nunes fez questão de reforçar que não há preocupação em retirar o arroz da alimentação humana, que seguirá sendo seu destino principal. “O que buscamos é potencializar a capacidade produtiva que o Rio Grande do Sul possui, apoiada pelas pesquisas do Irga, da Embrapa e de empresas privadas, que garantem a qualidade do nosso produto, alta produtividade e possibilidade de ampliação de área”, ressaltou.
Por fim, Nunes enfatizou que esses novos destinos não retiram o arroz da alimentação. “Eles agregam valor, geram novas oportunidades, emprego e renda, especialmente na metade sul do Rio Grande do Sul”, finalizou.
Na abertura da entrevista coletiva, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, ressaltou o momento de maturidade das entidades, que passaram a atuar de forma conjunta no sentido de identificar gargalos e propor soluções. “É o momento mais delicado da pecuária e da silvicultura gaúcha da história”, afirmou.
Entre as dificuldades, o dirigente citou questões de mercado, fatores climáticos e a geopolítica internacional. “O produtor rural deixa de ser reativo para ser propositivo, por meio de reuniões sistemáticas. Em junho do ano passado, começamos a identificar a problemática do estoque de passagem, em função de uma excelente safra. Estamos sendo penalizados pela eficiência e não temos nenhuma política de proteção efetiva ao setor”, enfatizou.
A ideia, segundo Velho Lopes, é mostrar a todos o que se avizinha em função da próxima safra. “Teremos uma concentração de venda no primeiro semestre de 2026, o que será prejudicial para toda a cadeia”, projetou.
Fonte: AGROLINK


