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Cubatão completa 77 anos com planos para fortalecer indústria e turismo


Único município da Baixada Santista que não possui praia e que costumeiramente tem sua imagem associada a um cenário industrial cinzento, Cubatão comemora 77 anos, nesta quinta-feira (9), celebrando nova fase, com planos de investimento na divulgação dos seus pontos turísticos naturais e a modernização das indústrias.

“Nosso desafio é equalizar o turismo e a indústria. São questões que não se sobrepõem, se complementam. O turismo é um setor que traz dinheiro para a região e o que precisamos é qualificar cada vez mais esse segmento. É preciso agregar valores com mais e melhores hotéis e restaurantes, opções de aventura, história, gastronômico, cultura, ecoturismo, contemplação. Nós temos tudo isso aqui, no Parque da Serra do Mar, por exemplo, que recebeu mais de 300 mil visitantes no ano passado”, afirma Fabrício Lopes, secretário municipal de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo.

“Estamos trabalhando para ajustar essa visão de Cidade apenas industrial. É um momento de troca de mentalidade. O município tem indústria, mas também tem potencial turístico enorme, inclusive industrial: a Usiminas, Unipar-Carbocloro e Hidrelétrica Henry Borden estão reestruturando seus programas de visitação e devem voltar a atender no segundo semestre”, complementa o secretário de Turismo, Elias Silva.

De acordo com o titular da pasta, a Administração Municipal vai investir cerca de R$ 1 milhão em 2026 na recuperação de bens e na potencialização dos atrativos existentes, ampliando as ações de divulgação. “O Píer do Casqueiro é, hoje, o nosso ponto mais conhecido, que na passagem do ano recebeu mais de 60 mil pessoas. Há outros pontos de muita beleza pouco conhecidos, como a cachoeira Lagoa Azul, um dos mais visitados depois do píer. Temos as náuticas na Ilha Caraguatá, que recebem pessoas do Estado todo para a atividade de pesca esportiva. Tem o caminho histórico, o Caminho da Serra do Mar, com nove monumentos, cachoeiras e trilhas”.

Elias Silva cita a reformulação do site Visite Cubatão (www.visitecubatão.com.br) e ações que envolvem as áreas de educação e de divulgação. “Precisamos mostrar para a nova geração que Cubatão tem esse potencial. Estamos implantando o ´Educando para o Turismo` nas escolas e revitalizando um ônibus para mostrar nossas riquezas para os estudantes. Também estamos contabilizando uma pesquisa feita com o pessoal das trilhas, náuticas e outros pontos para termos mapeamento mais detalhado sobre os visitantes. E trabalhamos para que o cubatense perceba a importância do momento e participe desse processo”.

VISÕES DISTORCIDAS

Para o secretário Fábio Lopes, não se trata de trocar a indústria pelo turismo, mas sim, potencializar as atividades turísticas. “A gente cristalizou a imagem do turista como aquela pessoa que vai tomar banho de rio, cachoeira, praia. Mas nós temos o turista que está engravatado, que veio para uma reunião de negócios, vai se hospedar em hotel, comer em restaurante, comprar no comércio. Então, preciso oferecer opções para ele na rede de serviços”.

Lopes classifica como ultrapassada a visão que relaciona, automaticamente, indústria e poluição. “Há empresas no nosso território que já conseguem gerar 80% da energia que consomem a partir dos formatos eólico e solar, já fazem compensação antes mesmo de produzir. Acho que o Polo Industrial de Cubatão polui menos que o tráfego de caminhões e carros aqui nas nossas rodovias. Não há como falar do parque industrial sem falar de meio ambiente”, afirma. Ele cita a presença da Administração Municipal na COP 30, a conferência do clima, em Belém (PA), em novembro de 2025. “Foi uma participação de peso, com painel exclusivo. No ano passado, recebi cinco delegações internacionais que vieram conhecer nossas experiências e políticas de recuperação ambiental”, destaca.

INDÚSTRIA

De acordo com o secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo, Fabrício Lopes, Cubatão chega aos 77 anos, reafirmando sua posição de referência no setor industrial. “Nós recuperamos esse protagonismo. A Administração Municipal colocou em evidência os temas de desenvolvimento econômico e nós começamos uma peregrinação atrás de novos investidores. Estamos estudando novas possibilidades de negócios para o território, dialogando mais com as empresas”, afirma.

Ele também ressalta as ações da Prefeitura em 12 ministérios, “que contribuíram para o Governo Federal aprovar uma medida antidumping contra a entrada abusiva do aço chinês no mercado nacional – Cubatão foi a única cidade que se manifestou publicamente”. Cita, ainda, o movimento que resultou na publicação do decreto propondo novos incentivos para a indústria química nacional. “Nós conseguimos com êxito, no dia 19 de março, fazer a aprovação do regime de transição para conseguir, no ano que vem, entre em vigor o PRESIQ (Programa de Recuperação da Indústria Química Brasileira)”.

Lopes ressalta a importância do Polo Industrial, que não emprega apenas trabalhadores de Cubatão. Com base em dados do Senai, ele afirma que a indústria na Baixada Santista conta com 53 mil trabalhadores diretos. “Mais de 70% desses empregos estão nas nossas indústrias. Pouco mais da metade do orçamento de Cubatão, hoje, vem das atividades do polo e a gente incrementa o setor de serviços (alimentação, transporte, vestuário, hotéis)”. De acordo com a Secretaria Municipal de Finanças (Sefin), a receita orçamentária para 2026 é de cerca de R$ 1,8 bilhão, sendo aproximadamente R$ 771 milhões (43%) da cota do ICMS e R$ 263 milhões (15%) do ISSQN.

EMPREGOS

O secretário explica que a principal expectativa para de geração de emprego, neste momento, está relacionada à planta de BioQAV (querosene de aviação). “A licitação está na rua e vai se encerrar em maio. Serão cinco lotes e três já estão sendo disputados, com prazo de três a quatro anos para serem concluídos, ali na Refinaria. Devem gerar de 3,5 mil a 5 mil postos de trabalho, durante o pico de obra. A gente está muito animado com isso”.

De acordo com Lopes, o desafio é buscar atividades de manufatura, atrair empresas que estejam conectadas com as indústrias de Cubatão, para agregar valor e gerar mais postos de trabalho.



Fonte: Jornal Da Orla

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