
O Governo do Estado de São Paulo realizou nesta quarta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, uma reunião técnica da Parceria Público-Privada do Túnel Santos–Guarujá com o grupo português Mota-Engil, avançando em um dos maiores projetos de infraestrutura do país e em uma demanda histórica da Baixada Santista. O investimento total estimado é de cerca de R$ 6,8 bilhões, com aportes públicos aproximados de R$ 5,1 bilhões, divididos entre o Governo do Estado e o Governo Federal, além da participação da iniciativa privada no restante dos recursos necessários para a execução do empreendimento.
A obra prevê a construção de um túnel imerso sob o canal do Porto de Santos, com 870 metros de extensão submersa e cerca de 1,5 quilômetro de comprimento total. O projeto contempla três faixas de rolamento por sentido, passagem dedicada para pedestres e ciclistas e uma galeria técnica para serviços. A estrutura foi dimensionada para atender à demanda atual e futura de mobilidade da região, com possibilidade de adaptações para outros modais de transporte, conforme estudos a serem desenvolvidos ao longo da concessão.
A Parceria Público-Privada terá prazo contratual de 30 anos e abrangerá as etapas de construção, operação e manutenção do túnel. A estimativa é de geração de aproximadamente 9 mil empregos diretos e indiretos durante as fases de implantação e funcionamento, com impacto relevante na economia regional, especialmente nos setores de construção civil, logística, comércio e serviços. O projeto é considerado estratégico para o desenvolvimento urbano e para o fortalecimento da infraestrutura de transporte da Baixada Santista.
A Mota-Engil foi vencedora do leilão realizado em B3, em setembro de 2025, ao apresentar desconto de 0,5 % sobre a contraprestação pública máxima anual, estimada em R$ 438,3 milhões. Desde então, o empreendimento vem passando pelas etapas técnicas e administrativas necessárias à formalização da concessão, incluindo reuniões de alinhamento entre o poder público e a futura concessionária.
Com a implantação do túnel, o tempo de deslocamento entre Santos e Guarujá deverá ser reduzido para até cinco minutos. Atualmente, a ligação rodoviária entre os dois municípios tem cerca de 40 quilômetros e pode levar aproximadamente uma hora, a depender das condições do tráfego. A travessia por balsas, utilizada diariamente por milhares de veículos, pedestres e ciclistas, enfrenta filas frequentes e limitações operacionais, sobretudo em períodos de maior movimento.
O projeto já conta com licença ambiental prévia emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, que atestou a viabilidade ambiental da obra. A análise considerou impactos sobre manguezais, fauna, flora, níveis de ruído e áreas sujeitas a desapropriações, estabelecendo condicionantes que deverão ser cumpridas nas fases seguintes do licenciamento. O processo envolveu estudos técnicos detalhados, além de audiências públicas e consultas à população.
FRENTE PARLAMENTAR
O deputado federal Paulo Alexandre Barbosa tem atuado de forma destacada em torno do projeto. Ele preside a Frente Parlamentar Mista da Ligação Seca Santos-Guarujá e a Comissão Externa de Acompanhamento das Obras do Túnel, órgãos que visam monitorar e fiscalizar o andamento do projeto, além de articular no Congresso Nacional ações para assegurar indenizações justas e medidas que minimizem os impactos sociais e urbanos da obra.
A expectativa do Governo do Estado é que as obras tenham início em 2027. A montagem dos módulos que compõem o túnel imerso deverá ocorrer até 2030, com a conclusão da estrutura e o início da operação previstos para 2031.
Fonte: Jornal Da Orla


