Em pleno coração do Gonzaga, em Santos, no Shopping Parque Balneário, um pequeno refúgio se tornou palco de uma das mais calorosas tradições de amizade da cidade. É no Café da Beth, uma cafeteria que exala aconchego, onde um grupo de amigos se reúne todos os dias para compartilhar risos, conversas e memórias. Mais do que um simples ponto de encontro, a Confraria do Café, como é carinhosamente chamada, é o reflexo de um laço que ultrapassa os limites do tempo e das circunstâncias.
Os amigos, que já fazem parte da rotina um do outro, começam o dia com a certeza de que ali, no aroma do café e no sabor das conversas, encontram um espaço de acolhimento. Para eles, o momento do café não é apenas uma pausa nas atividades cotidianas, mas uma renovação diária da amizade, uma oportunidade de partilhar as novidades, as preocupações e até os pequenos desabafos da vida. São engenheiros, dentistas, jornalistas, desembargadores, escritores e empresários. Alguns já aposentados.
Os encontros, marcados pontualmente, são regados a piadas engraçadas e outras nem tanto, lembranças de velhas histórias e provocações que só os amigos de longa data sabem fazer com a medida exata de carinho e respeito. As conversas fluem com facilidade, desde assuntos triviais até os mais profundos, e cada xicara de café traz consigo um novo capítulo para o relacionamento. O ambiente do café é, para muitos, um dos poucos lugares onde as distrações do mundo exterior ficam para trás, e os amigos podem ser apenas isso: amigos, sem pressão ou expectativas.
Mas como em toda boa amizade, nem tudo é constante. A vida, com suas surpresas e reviravoltas, tem o poder de afastar temporariamente ou até mesmo de levar para longe alguns dos membros dessa Confraria. Os “desencontros”, como alguns chamam, são inevitáveis, mas, em cada nova reunião, o sentimento de reencontro é mais forte do que nunca. “Às vezes, um de nós falta, mas a saudade é sempre transformada em risada quando ele retorna”, diz um dos confrades, sorrindo.
A saudade, aliás, é uma presença constante nas conversas especialmente quando o tema envolve aqueles que já partiram. Mas, ao invés da tristeza, há celebração. Os amigos que se foram continuam vivos nas histórias compartilhadas, nas doces lembranças contadas com carinho, como estivessem aguardando apenas o próximo encontro.
A importância dessa rotina vai além do simples ato de tomar café. Ela simboliza a resistência da amizade genuína, que não se abala com o passar dos anos ou as dificuldades da vida. Na era das conexões digitais e das interações efêmeras, a Confraria do Café se torna um lembrete de que a verdadeira amizade exige presença, tempo e, claro, uma boa dose de risadas.
Hoje, o Café da Beth é muita mais que uma cafeteria. Ele é o ponto de encontro de uma história de amizade que, com cada xicara servida, se torna ainda mais forte e significativa. O café, como um elo simbólico, é o espaço onde o cotidiano se encontra com a efetividade, e onde os desencontros da vida são, todos os dias, suavizados pelo calor da amizade.
Dedicamos o Confraria do Café aos saudosos confrades Sérgio Luiz Corrêa, Ismael Castanho, Edemar Castelar Filho (Mazinho), Geraldo Reis Pimentel, Orlando Lovechio, Lauro Clasen de Moura, José Theodoro Carvalhaes, Júlio Belmonte de Carvalho, Antônio Poletti, Waldemar Antônio Filho, Alceu Bagagiolo, Enéas Corrêa Prado e Carlos Fernando Stuch.
Fonte: Jornal Da Orla


