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Começam trabalhos de recuperação do navio Prof W. Besnard


A Autoridade Portuária de Santos (APS) vai investir cerca de R$ 8 milhões para levar o navio Prof. W. Besnard, adernado no Cais do Valongo desde 13 de março, até o estaleiro e tentar recuperar um dos símbolos da pesquisa oceanográfica do Brasil. Os trabalhos começaram no último dia 3 e serão executados em três etapas: mergulhadores e técnicos, que já trabalham na análise da estrutura submersa, limpeza e sucção da água que está no interior da embarcação para possibilitar o passo seguinte, que é fazer o Besnard reflutuar, para então rebocá-lo até um estaleiro.

O investimento foi definido após licitação emergencial, da qual participaram cinco empresas. A contratada foi a Morfort Serviços Marítimos, que tem 180 dias para realizar todas as etapas, conforme explica o presidente da APS, Anderson Pomini.

“Pela regra, a gente tem que fazer licitação, que é um processo mais complexo e demorado. De forma extraordinária, podemos fazer o contrato emergencial. Isso aqui é uma emergência declarada pela Capitania dos Portos porque, se as amarras estourarem, o navio, com a subida da maré, pode ir para o meio do canal e interromper a navegação. Por conta disso, fizemos um processo de forma muito rápida. A responsabilidade pela segurança é do Porto, embora o navio pertença a um terceiro”.

A expectativa do presidente da APS e do diretor da contratada, Alexandre Salomani, é que o navio esteja flutuando ainda no mês de abril. Pomini afirma que será elaborado um plano de navegação até o estaleiro, em conjunto com a Capitania. “Uma vez no estaleiro, aí sim, convoco todas as empresas a colaborarem e a comunidade para que possamos recuperar esse navio, todo ou em parte, para que ele fique aqui no Parque Valongo”.

60 PESSOAS

Cerca de 60 pessoas estão envolvidas no resgate, sendo 30 na base operacional da empresa contratada e 30 junto ao navio, no Cais do Valongo. “Temos mergulhadores, o pessoal da área ambiental, que fica de prontidão, parte de guindaste e balsa, rebocadores. É complexo, é uma mobilização multidisciplinar”, destaca Alexandre Salamoni.

De acordo com ele, todo cuidado é necessário nesse processo de trazer o navio à tona, em razão das condições precárias e do valor histórico da embarcação. “Estamos com todos os estudos de engenharia, o que nós conseguimos de desenhos e informações do navio, para que a gente possa mapear tudo o que deve ser realizado. Essa fase preliminar do mergulho é para mapear realmente o que tem ali sob a água, para que a gente possa observar e tampar, vamos chamar assim, toda a parte onde possa ter entrado água, e consiga fazer a reflutuação. Vamos utilizar algumas bombas de alta performance para que o navio possa calmamente vir reflutuando. Isso demanda técnicas, tempo e segurança”.

A respeito de um possível içamento do navio, o diretor da contratada disse que nenhuma hipótese de engenharia está descartada nesse momento, mas considera algo quase impossível, tendo em vista a precariedade do navio. “O navio não está nas suas perfeitas condições de manutenção preventiva e corretiva. Então, o trabalho demanda muito cuidado para que, apesar de ter equipamentos de içamento também mobilizados no local, faça tudo para preservar o navio. Não adianta a gente simplesmente tentar içar, porque ele não tem estrutura para suportar. Por isso, a ideia da reflutuação que a gente está fazendo de uma forma bem escalonada”.

O NAVIO

O navio Prof. W. Besnard é um ícone da oceanografia brasileira lançado ao mar pela Universidade de São Paulo (USP). O nome homenageia o primeiro diretor do Instituto da USP que, desde 1958, trabalhava para que a universidade tivesse o seu próprio navio. A embarcação chegou ao Brasil em agosto de 1967. Foram centenas de viagens científicas, sendo seis para a Antártica.

Atracado desde 2008 no Porto de Santos, o navio foi cedido pela USP para o município de Ilhabela. Voltou após decisão do Ministério Público. O navio passou a ser responsabilidade do Instituto do Mar, uma organização sem fins lucrativos, mas cujos coordenadores não se manifestaram sobre a degradação da embarcação, nem mesmo após o acidente de março.



Fonte: Jornal Da Orla

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