O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, afirmou que a instituição precisará reservar cerca de R$ 8 bilhões em seu balanço para cobrir perdas relacionadas à compra de carteiras de crédito consideradas fraudulentas do Banco Master.
A declaração foi feita aos jornalistas, nesta segunda-feira (2), após uma reunião a portas fechadas que durou aproximadamente 11 horas na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), com a presença de 19 dos 24 deputados distritais.
As investigações indicam que o Banco de Brasília adquiriu cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos posteriormente classificados como falsificados do Banco Master. A instituição, no entanto, sustenta que conseguiu reaver aproximadamente R$ 10 bilhões desse montante ao longo do ano passado, reduzindo parcialmente o impacto financeiro da operação.
Segundo Souza, o valor da provisão foi definido com base em orientações do Banco Central, de órgãos de controle e de auditorias independentes. A medida é necessária para adequar o banco às exigências regulatórias e preservar a solidez da instituição diante das perdas identificadas.
“Nós fomos bastante conservadores na definição desse valor. Tem uma auditoria do Banco Central, uma auditoria independente, que é a Machado Meyer, e todos os órgãos de controle e reguladores acompanhando. Em todos eles, a provisão é de aproximadamente R$ 8 bilhões e o aporte de capital é na faixa máxima de R$ 6,6 bilhões”, disse.
Segundo o presidente, o banco adotou postura “bastante conservadora” na estimativa das perdas e apresentou alternativas para recompor caixa: venda de participação em subsidiárias, negociação da carteira do Master — estimada em R$ 21,9 bilhões — e estruturação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
Presidente cobra aprovação do projeto da salvação na CLDF
Sob pressão após a revelação da necessidade de provisionar R$ 8 bilhões no balanço, o presidente do BRB passou a cobrar publicamente a votação do chamado “PL da salvação”, defendendo que a aprovação é decisiva para garantir a continuidade da instituição.
Nesta terça-feira (3/3), a reunião de líderes na Câmara Legislativa do Distrito Federal definirá se o projeto será incluído na pauta do plenário. Diante da possibilidade de deliberação imediata, o sindicato convocou funcionários do conglomerado do Banco de Brasília e trabalhadores terceirizados para comparecer à Casa e pressionar os distritais pela votação da proposta.
No encontro com os parlamentares, foram debatidos os detalhes do projeto de lei elaborado pelo Governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, para viabilizar a capitalização da instituição.
A proposta busca criar instrumentos legais que permitam reforçar o capital do banco após os prejuízos envolvendo operações com o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
O governo de Ibaneis Rocha articula a votação do texto, mas deputados da base e da oposição cobram mais informações sobre os impactos financeiros e as garantias de retorno dos recursos públicos.
A reserva de R$ 8 bilhões não significa desembolso imediato, mas impacta diretamente o balanço da instituição e sua capacidade de operar. Sem a recomposição do capital, o banco pode enfrentar restrições regulatórias.
O BRB também ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir que o fluxo financeiro das carteiras atualmente sob responsabilidade do liquidante do Banco Master retorne ao banco brasiliense. Segundo Souza, o pedido foi deferido e o liquidante tem 48 horas para se manifestar.
Fonte: Gazeta do Povo


