O Instituto Nacional de Meteorologia divulgou nesta segunda-feira (9) a edição do Boletim Agroclimatológico Mensal com análises das condições oceânicas e atmosféricas que influenciam o clima no Brasil no trimestre de abril a junho de 2026.
Segundo o boletim, a interação entre oceanos e atmosfera exerce influência direta sobre o comportamento climático em diversas regiões do planeta. No caso do Brasil, o documento destaca a atuação de fenômenos como o El Niño–Oscilação Sul, no Oceano Pacífico Equatorial, e o gradiente térmico do Atlântico Tropical, conhecido como Dipolo do Atlântico. O boletim explica que “quando as águas do Atlântico Tropical Sul estão mais quentes e as do Atlântico Tropical Norte mais frias, há maior favorecimento à ocorrência de chuvas em grande parte do norte do Brasil”, condição denominada dipolo negativo. Em situação oposta, quando ocorre a inversão da distribuição térmica, há redução das chuvas na região.
De acordo com os dados analisados pelo Inmet, em março de 2026 a anomalia da temperatura da superfície do mar no Atlântico Tropical Norte foi de -0,03 °C, enquanto no Atlântico Tropical Sul foi de 0,43 °C. Essa configuração indica a presença de um dipolo em fase negativa, caracterizado por águas relativamente mais quentes no sul do Atlântico. O boletim aponta que “essa anomalia positiva de temperatura da superfície do mar no Atlântico Sul favorece o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical mais para sul de sua posição climatológica”, o que pode estimular a formação de chuvas ao longo da costa norte do Nordeste e no leste da Amazônia.
No Oceano Pacífico Equatorial, a análise das temperaturas da superfície do mar entre os dias 16 e 31 de março registrou anomalias entre 0 °C e 1 °C na faixa entre 180° e 100°W, indicando aquecimento leve das águas nas porções central e oeste do oceano. O boletim também identificou águas mais quentes na costa oeste da América do Sul, entre 80°W e 110°W, com valores variando de 0,5 °C a 2 °C.
Na região conhecida como Niño 3.4, utilizada como referência para o monitoramento do fenômeno ENOS, a anomalia média mensal da temperatura da superfície do mar foi de 0,03 °C em março. O valor é superior ao registrado no mês anterior e indica enfraquecimento do resfriamento das águas superficiais. O boletim destaca que, de acordo com critérios da National Oceanic and Atmospheric Administration, anomalias entre -0,5 °C e +0,5 °C caracterizam condições de neutralidade, sem configuração das fases extremas do fenômeno.
A análise de modelos de previsão realizada pelo International Research Institute for Climate and Society indica manutenção dessas condições neutras do ENOS durante o trimestre de abril a junho de 2026. Segundo o boletim, a probabilidade de neutralidade nesse período é de 53%. Para os meses seguintes, a previsão aponta aumento da chance de ocorrência de El Niño, com cerca de 72% de probabilidade no trimestre de maio a julho de 2026.
Fonte: AGROLINK


