O banco BTG Pactual informou ao mercado, nesta quarta-feira (8), que fechou um acordo para a compra do Banco Digimais, atualmente controlado pelo Grupo Record, fundado pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). A empresa enfrenta uma crise financeira, com um rombo estimado em R$ 8,5 bilhões.
O documento celebrado fixou um valor de referência para a aquisição de todas as ações da instituição. Segundo o comunicado, assinado pelo diretor de Relações com Investidores, Renato Hermann Cohn, o controle acionário só deve ocorrer após a conclusão de um processo competitivo, em que o BTG deve ser declarado vencedor.
Depois do processo competitivo, a operação ainda precisa passar pelo órgão que regula o sistema financeiro nacional, o Banco Central (BC), e pelo órgão responsável por coibir a formação de monopólios, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
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Dilma precisou dar aval a investimento estrangeiro para aquisição de ações por Edir Macedo
O Digimais foi fundado em 1968 em Porto Alegre, sob o nome de Banco Renner. O novo nome surgiu em 2020, com a mudança da estratégia para se tornar um banco digital. Edir Macedo e sua esposa, Ester Bezerra, são, oficialmente, investidores estrangeiros, uma vez que possuem domicílio no exterior. Foi em razão disso que a mudança no controle, ocorrida em 2013, precisou passar pelo aval da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Dados do Portal da Transparência indicam que o Digimais conseguiu mais de R$ 2,9 milhões em renúncias fiscais do governo federal entre 2015 e 2020. A maior parte desse valor (R$ 1,15 milhão, ou 39,28% do total) é de participações na Lei Rouanet. Há ainda a dedução de Imposto de Renda por doações ao Fundo Nacional do Idoso, ao Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica e à Lei de Incentivo ao Esporte.
Do outro lado, falando em aportes diretos, o mesmo portal detalha o recebimento de R$ 37,6 milhões em recursos públicos entre 2018 e 2026. O dado inclui repasses bilionários para a operacionalização de pagamentos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Fonte: Gazeta do Povo


