O cenário financeiro do agronegócio passa por uma mudança relevante, marcada pelo desalinhamento entre custos, fluxo de caixa e crédito ao produtor. A análise tem como base informações de Bruno Gusmão de Assis, tecnólogo em processos gerenciais com MBA em Agronegócio.
O ambiente macroeconômico mais restritivo elevou o custo do capital, com juros que saíram de patamares próximos a 2% para cerca de 15%, ao mesmo tempo em que pressões logísticas e de insumos ampliaram despesas, como o frete marítimo com alta de 20%. Esse movimento aumentou o ponto de equilíbrio das operações e tornou o capital mais caro e seletivo.
Ao mesmo tempo, o ciclo produtivo longo, que vai do plantio à colheita, contrasta com o atraso na realização das vendas, criando um vazio financeiro. Nesse intervalo, os custos já foram absorvidos, mas a receita ainda não entrou, pressionando o caixa e ampliando a necessidade de financiamento.
Esse contexto contribui para o aumento da inadimplência, que avançou de 7,6% para 8,3%, além do crescimento dos pedidos de recuperação judicial. Com maior risco percebido, instituições financeiras endurecem critérios de concessão, restringindo o acesso ao crédito tradicional e direcionando produtores para alternativas como a CPR, que registra alta de 37% e eleva o endividamento total.
Diante desse quadro, a estratégia passa por ganho de eficiência e diversificação financeira. A gestão mais precisa do custo operacional, com uso de tecnologias para reduzir desperdícios, torna-se essencial em um cenário de juros elevados. A adoção de dados e ferramentas digitais amplia a previsibilidade da produção e das receitas, ajudando a mitigar o descompasso do caixa.
A diversificação das fontes de financiamento também ganha relevância, com instrumentos do mercado de capitais e operações estruturadas. Ao mesmo tempo, práticas de mitigação de risco, como seguro agrícola e proteção de preços, deixam de ser opcionais e passam a integrar a sustentação financeira da atividade.
Fonte: AGROLINK


