O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o plano de demissões dos Correios falhou e que a estatal precisará lançar um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV) como parte de uma reestruturação mais ampla. A medida ocorre em meio ao avanço do déficit da empresa, que acumula sucessivos prejuízos bilionários nos últimos anos.
Segundo o ministro, o primeiro PDV ficou abaixo das expectativas e não resolveu o problema estrutural da estatal, exigindo novas ações imediatas. Além disso, o plano de reestruturação precisa ser aprofundado com medidas mais duras de eficiência e modernização.
“Do lado do Ministério da Fazenda e do ponto de vista do acompanhamento dessa recuperação financeira dos Correios, nós estamos exigindo eficiência e mudança de paradigma. Acho que é preciso ter ganho de eficiência, ter enxugamento da máquina, digitalização dos processos, não pode ter mais um empregado separando cartas”, afirmou o ministro em entrevista à GloboNews exibida na noite de quarta (1º).
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Para viabilizar a recuperação dos Correios, o governo garantiu um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos com aval do Tesouro Nacional, o que elevou a pressão por resultados concretos. Em troca, o Ministério da Fazenda passou a cobrar com mais rigor a execução das medidas previstas no plano de reestruturação.
O ministro também criticou a defasagem operacional dos Correios em comparação com padrões internacionais, pontuando que países desenvolvidos utilizam automação para aumentar produtividade e reduzir custos. Na prática, o governo quer acelerar todas as frentes de ajuste que não avançaram como previsto.
“Se o PDV não deu certo, tem que ser renovado. A venda de imóveis está funcionando em ritmo devagar? Porque o PDV não deu certo, ela tem que ser acelerada”, afirmou o ministro.
Na última segunda-feira (30), os Correios anunciaram a prorrogação do PDV até o dia 7 de abril após registrar apenas 2,4 mil interessados. A meta era desligar 10 mil servidores em 2026 e outros 5 mil em 2027, com uma economia anual de R$ 2,1 bilhões.
Parceria com a iniciativa privada, mas sem privatização
Durigan também defendeu antecipar parcerias com a iniciativa privada como forma de elevar a eficiência da estatal, mas sem vistas a uma eventual privatização, como se planejou durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que foi engavetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“A coligação com outras empresas privadas, inclusive para ter ganho de produtividade, também tem que ser antecipada”, completou.
Entre as alternativas estudadas estão joint ventures, reorganização da cadeia logística e expansão para áreas comerciais mais rentáveis. A meta, segundo Durigan, é adaptar a estatal às exigências do cenário econômico atual – os Correios, diz, “têm que ser uma empresa em uma nova realidade do mundo”.
O que diz o plano de reestruturação
A reestruturação dos Correios estabelece ações divididas em três fases: recuperação financeira, consolidação e crescimento. As medidas foram baseadas em uma análise profunda do atual modelo de negócio, que já não comporta a estrutura inchada da empresa.
A otimização da rede de atendimento deve resultar na redução de até mil pontos considerados deficitários, abrindo espaço para a expansão do portfólio voltado ao e-commerce e para novas parcerias estratégicas. A estatal também admite a possibilidade de fusões, aquisições e reorganizações societárias para fortalecer sua competitividade.
Com a execução dessas medidas, os Correios projetam reduzir o déficit em 2026 e voltar ao lucro em 2027. Segundo o plano, a reestruturação é essencial para garantir que a empresa continue operando em todo o país de forma sustentável.
Fonte: Gazeta do Povo


