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Labirinto financeiro – Jornal da Orla


Algumas revistas costumam trazer o desenho de labirintos. Somos desafiados ali a percorrer os meandros do traçado e atingir uma saída proposta. Às vezes basta um rápido olhar para sabermos todo o trajeto. Outras vezes a brincadeira custa-nos um pouco mais de esforço.

Ficou célebre na antiguidade o labirinto de Creta, cujo guarda, o monstro Minotauro, devorava os incautos que se aventuravam no intrincado de seus corredores; dele escapou o herói mitológico, Teseu, com a ajuda do fio que Ariadne lhe fornecera, permitindo-lhe matar a fera e retornar são e salvo à luz do dia. As catacumbas romanas e os túneis para dentro de muitas cavernas, focos de atração turística, de modo semelhante exigem a presença de guias para que ninguém ali se perca

Charlie, profissional liberal e meu amigo, encontrou-se há algum tempo envolvido num labirinto…financeiro. Começara a construir um puxado em sua casa de campo, no interior. Seriam no máximo uns dezesseis metros quadrados de construção. O orçamento inicial demonstrava-se viável, os pedreiros foram excelentes na segurança e rapidez, os materiais haviam sido comprados logo no início.

Charlie pessoalmente supervisionava a obra, aproveitando as férias de fim de ano. Um acidente inesperado obrigou-o, no entanto, a rigoroso repouso, atrasando-lhe a volta ao trabalho. As economias em contas bancárias, poupanças e aplicações financeiras ainda foram alimentando o projeto durante aquele mês de inatividade forçada.

Logo que pôde retornar ao trabalho, reabriu a fonte de recursos, mas precisava saldar compromissos inadiáveis de impostos, seguros, taxas de serviços e outros. Diariamente devia controlar as contas nos bancos, fazer depósitos, equilibrar saldos para não entrar no ‘vermelho’, num dédalo de cálculos, fazendo contas de chegar.

Tal situação é conhecida de muitos, especialmente em épocas de descontrole econômico em nível nacional. O fenômeno mais comum no caso é a perturbação que costuma apoderar-se das pessoas. A falta de liquidez leva à insegurança. Quando o dinheiro certo é a única fonte da segurança, adeus paz, adeus sono, adeus tranquilidade. É inevitável a falta de clareza em tais circunstâncias; ora, a clareza de ideias é o que dá firmeza, mais que tudo.

Requer-se alto nível de maturidade para que a tempestade financeira não nos colha nos baixios do desespero nem nos inunde com a enxurrada da desconfiança.

A certeza de sermos capazes de fazer frente às dificuldades, a autoconfiança, a fé no poder de um Deus que não abandona ninguém desde que a própria pessoa faça a sua parte, o conselho de amigos, a prudência em não dar o passo maior que a perna, são alguns caminhos para conviver com os inevitáveis apertos financeiros sem perder a paz.

Os labirintos, para quem olha com olhos de sabedoria, podem ser vistos como jogos, desafios, crises, oportunidades de crescimento, testes de perseverança, momentos de treinamento intensivo. Não há por que esquentarmos a cabeça, principalmente se somos previdentes e nos condicionamos mentalmente para enfrentar tais ocasiões.



Fonte: Jornal Da Orla

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