A Polícia Federal tem indícios de que todos os alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro deste ano em meio às investigações da fraude financeira do Banco Master, tiveram conhecimento antecipado dos mandados que seriam cumpridos contra eles. E, não apenas isso, mas que eles já se preparavam com antecedência – meses antes – para a ação dos federais.
Estes indícios constam em documentos obtidos pelo UOL e confirmados pela Gazeta do Povo nesta segunda (30) com avanço nas informações, de que os investigados teriam se antecipado à ação, esvaziando imóveis e retirando equipamentos eletrônicos antes da chegada dos agentes. A decisão anterior do então relator no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, de indeferir solicitações adicionais da Polícia Federal teria contribuído para dificultar a operação.
Na prática, agentes relataram que, ao chegar aos locais, encontraram imóveis revirados, com sinais de saída recente dos moradores. Há descrições de camas desarrumadas, mudanças em andamento e ausência completa de dispositivos eletrônicos como telefones celulares, computadores e notebooks, justamente os principais alvos das apreensões.
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Fontes a par da investigação sinalizaram à Gazeta do Povo que o material que deixou de ser apreendido pela operação pode ser ainda mais comprometedor do que aquele recolhido e que levou à terceira fase, deflagrada no começo de março. Na ocasião, a investigação levou o banqueiro Daniel Vorcaro pela segunda vez à prisão, além do cunhado Fabiano Zettel e mais duas pessoas.
Entre os indícios de vazamento da operação está a presença de um advogado de Vorcaro em sua residência em São Paulo às 6h da manhã aguardando a chegada da Polícia Federal. Há relatos de que os agentes inclusive tiveram dificuldades para entrar na mansão.
A operação investigava crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos 42 mandados em cinco estados, com bloqueio de bens que ultrapassaram R$ 5,7 bilhões.
Segundo consta, a situação se repetiu com variações em ao menos outros cinco endereços em diferentes estados. Em alguns casos, familiares relataram que os investigados haviam saído para atividades rotineiras pouco antes da chegada da polícia e não retornaram durante a operação.
No bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, o imóvel ligado ao investidor Nelson Tanure foi encontrado praticamente vazio. Não havia pertences pessoais, funcionários ou objetos de valor, o que reforça a suspeita de retirada antecipada de bens.
Em Minas Gerais, na casa de um dos investigados, o cenário indicava saída às pressas, com roupas espalhadas e quartos desorganizados. No local, a polícia encontrou uma arma carregada e, após arrombar uma sala-cofre, apreendeu “um grande arsenal de armas e munições”. Também no estado, na cidade de Nova Lima, os agentes encontraram policiais militares à paisana atuando como seguranças privados da família investigada.
A Gazeta do Povo procurou as defesas de Daniel Vorcaro e Nelson Tanure e aguarda retorno.
O que dizem os citados
Já ao UOL as defesas dos investigados contestaram as informações apuradas junto à Polícia Federal. Os advogados de Vorcaro negam qualquer resistência e afirmam que agentes teriam “atirado nas fechaduras sem aguardar que o cliente abrisse a porta”.
Sobre a presença antecipada de um advogado no local, a defesa alegou que a medida foi preventiva após a prisão de um familiar na véspera. Segundo os advogados, a possibilidade de uma operação já era esperada.
Já a defesa de Nelson Tanure afirmou que o empresário “havia se mudado fazia pouco tempo daquele endereço” e que a informação poderia ter sido confirmada previamente. Também declarou que ele “jamais estabeleceu qualquer relação societária com o Banco Master”.
O empresário ainda destacou que “lamenta a especulação disseminada sem qualquer fundamento fático” sobre suposta ligação com a instituição.
Fonte: Revista Oeste


