Em julho de 2016, o então procurador da república Deltan Dallagnol avisou o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por meio de seu chefe de gabinete, Eduardo Pellella, que havia indícios de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli seria sócio oculto do resort Tayayá. As informações foram resgatadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela Gazeta do Povo.
“Pelella, segundo informações, Toffoli é sócio oculto do primo, José Eugênio, no resort Tayayá. Este Resort situa-se em Ribeirão Claro”, dizia a mensagem, divulgada em agosto de 2019. Pellela respondeu com um “Opa!!!”.
Logo depois, Dallagnol se ofereceu para alimentar o gabinete de Janot com dados de inteligência. “Sei que o competente é o PGR, mas talvez [eu] possa contribuir com vocês com alguma informação, acessando umas fontes”, completou.
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Diálogos da Lava Jato levaram à anulação das condenações de Lula
Os diálogos da operação Lava Jato tornaram-se públicos por meio da “Vaza Jato”, conjunto de reportagens oriundas de uma invasão do hacker Walter Delgatti Neto, conhecido como “hacker de Araraquara”, a contas do Telegram de diversas autoridades relacionadas à investigação que culminou na prisão do presidente Lula (PT).
As mensagens foram compiladas pela Folha de São Paulo e pelo The Intercept e serviram como estopim para que o STF anulasse a condenação de Lula, apontando parcialidade do então juiz Sérgio Moro.
Hoje, Delgatti está preso, acusado de invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), supostamente financiado por Carla Zambelli. Após ser condenada a 10 anos de prisão, a ex-deputada federal deixou o país. Agora, ela enfrenta um processo de extradição na Itália.
Toffoli deixou o caso Master após a Polícia Federal (PF) pedir sua suspeição, baseada em diálogos entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro. A relação entre os dois tinha no resort Tayayá um ponto de conexão societária.
A saída marcou um novo capítulo na crise de credibilidade da Corte, mas o Supremo resolveu aplacar a crise sem dar razão à PF: em nota, os ministros defenderam a legalidade da atuação de Toffoli, mas alegaram que o próprio magistrado pediu para se afastar. O novo sorteio levou o caso ao gabinete de André Mendonça.
Fonte: Revista Oeste


