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Janelas, portas e ditados – Jornal da Orla


Diz um ditado: “Quando o diabo fecha uma porta, Deus abre uma janela”. Ocorre que, de vez em quando, parece que o cômodo só tem portas, todas trancadas “a sete chaves”. É que o diabo, apesar de viver em meio ao fogo, age melhor na escuridão.

Mas nem toda a escuridão é necessariamente ausência de luz. Não raro, ela vem sob a forma tenebrosa de falta de perspectiva de múltiplas portas fechadas, que impedem que novos caminhos sejam trilhados: uma escravidão psicológica que mina a autoestima e conduz à apatia, à depressão, àquela sensação de que no fundo do poço ainda pode haver areia movediça ou uma pá; de que a luz no fim do túnel é um trem no contrafluxo.

Aí, dizem: “A esperança é a última que morre!”. E se morrermos antes dela?

E mesmo que sobrevivamos, é preciso ter “paciência de Jó” para suportar o prazer sádico que alguns seres humanos – se é que merecem essa definição – demonstram ao prejudicar profissionalmente, fisicamente, psicologicamente e até a saúde do semelhante.
É certo que na vida nem tudo é um “mar de rosas”, e que algumas rosas têm mais espinhos do que beleza. Afinal, o mal é mestre em dissimulação.

Pessoas assim, diabólicas, transformam a vida dos outros num inferno, pois seu “paraíso” é o caos, e a mentira, seu dogma.
“Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”, também nos remete à esperança em dias melhores. No entanto, quão frustrante é constatar que o mal pode vir de onde se esperava o bem.

Como é triste saber que existem pessoas que só veem o que querem: juízes de seu bel-prazer, ditadores sem limites investidos de um poder que não merecem e nunca permitem que seja questionado, pseudoparadigmas de uma justiça que torna favor o que é de direito.
O mundo da mediocridade é assim: cheio de portas trancafiadas para os outros.

Nele a corrupção reina absoluta e as aparências só enganam quem se deixa iludir. Quem não se ilude sofre de várias formas, acorrentado como Prometeu.

Esse reino enriquece quem não merece e, para perpetuar-se, fecha portas e aferrolha janelas, para tentar cegar e sufocar os que dele querem sair.

Ironicamente, seus “reis” e “nobres”, diabretes enrustidos ou declarados, quando confrontados com o mal que causam, ainda dizem que “há males que vêm para o bem”, como se prejudicar os outros fosse um ato de bondade.

Paciência tem limite e perseverança também!

As pessoas as têm em medidas diferentes que, quando ultrapassadas, são imprevisíveis.

Não precisa ser assim, se as pessoas simplesmente soubessem reconhecer seus limites em vez de só impor restrições aos outros, por medo de expor sua real condição.

Mas também há um ditado que diz: “O que é meu a mim há de vir, por força da natureza”. Também dizem que Deus permite que dificuldades – dentre elas esse tipo de gente – aconteçam em nossa vida, como forma de testar nossas convicções.

Então, que Deus nos dê paciência, perseverança, saúde, meios e força para cavar túneis onde a intolerância e a insensibilidade de outrem insistem em obstruir portas e janelas.



Fonte: Jornal Da Orla

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