Lucas Braga pode ser obrigado a encerrar a carreira (Foto: Raul Baretta / Santos FC)
O imbróglio envolvendo a transferência de Lucas Braga ganhou novo capítulo. O presidente do Vitória, Fábio Mota, afirmou que o clube baiano não pretende pagar o saldo devedor ao Santos após a confirmação de que o atacante não poderá mais atuar profissionalmente por conta de uma doença cardíaca congênita grave.
O Santos cobra cerca de R$ 3,6 milhões referentes a parcelas atrasadas da venda realizada em 2025, quando o Vitória adquiriu 70% dos direitos econômicos do jogador por R$ 5 milhões. A diretoria santista estuda acionar a CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) para garantir o recebimento dos valores, entendendo que está juridicamente amparada mesmo após a rescisão contratual do atleta.
Diagnóstico e rescisão
Entre os dias 20 e 21 de fevereiro de 2026, Fábio Mota confirmou que Lucas Braga não poderá mais jogar futebol profissionalmente. O contrato foi rescindido após o atacante ser reprovado em exames médicos para um possível empréstimo ao Fortaleza.
“A gente acabou de receber o relatório aqui. Disse que ele não pode mais jogar futebol, não pode fazer nada com a doença congênita que ele tem. Em resumo, ele não pode fazer mais nada. O laudo é conclusivo quanto à impossibilidade de o jogador continuar atuando profissionalmente”, declarou o dirigente.
O presidente também reforçou que, com a publicação da rescisão no BID da CBF, o atleta não mantém mais vínculo formal.
“Ele realmente não tem vínculo com o Vitória, não tem vínculo com ninguém. Ele não vai conseguir jogar mais futebol. O laudo é claro e mostra isso. Com a publicação no BID, a rescisão é definitiva para que o clube possa seguir seu planejamento sem esse custo.”
Alegação de vício oculto
A principal linha de defesa do Vitória é a existência de um suposto “vício oculto”. Segundo Fábio Mota, a doença cardíaca congênita seria preexistente à negociação e não teria sido detectada ou informada no momento da venda.
“Não há por que o Vitória pagar por um ‘produto’ que já veio com defeito de fabricação. É uma doença congênita, ele já nasceu com isso. O Santos tinha a obrigação de saber ou de nos informar. O Vitória se sente lesado e vai buscar na justiça a nulidade desse débito, já que o atleta não tem mais condições de exercer a profissão.”
Em 2025, Lucas Braga disputou 35 partidas pelo Vitória e marcou dois gols antes da descoberta do problema cardíaco.
Posição do Santos
Do lado santista, a avaliação é de que a transferência foi realizada dentro da normalidade, com exames médicos e documentação regulares à época. A diretoria entende que a condição posterior do atleta não anula as obrigações contratuais assumidas pelo clube comprador.
O Santos, sob a presidência de Marcelo Teixeira, pretende recorrer às instâncias jurídicas competentes, incluindo a CNRD, para cobrar o pagamento das parcelas em atraso. O caso deve evoluir para disputa formal, já que as partes demonstram posições divergentes sobre a responsabilidade financeira após a aposentadoria precoce do jogador.
Fonte: Diário do Peixe


