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Por que a Nestlé decidiu abandonar sua linha de sorvetes


Marcas como La Frutta, Mega e Moça habitam a memória afetiva de gerações de brasileiros. Mas a linha de sorvetes da Nestlé no país — e em diversos outros mercados — está com os dias contados.

A gigante suíça anunciou o abandono total do segmento até 2027. A decisão faz parte de uma reestruturação da Nestlé em nível global, liderada pelo presidente-executivo Philipp Navratil, no cargo desde setembro de 2025. O objetivo é concentrar os recursos da companhia em quatro pilares centrais: café, produtos para animais de estimação, nutrição e alimentos.

Os ativos de sorvetes em países como Canadá, China e Brasil serão vendidos para a Froneri, parceria criada em 2016 com o fundo de investimento PAI Partners, que já administra marcas como a Häagen-Dazs, segundo o Financial Times e o Wall Street Journal.

A urgência da reestruturação tem endereço nos balanços. Em 2025, o lucro líquido caiu 17%, totalizando 9,03 bilhões de francos suíços, pressionado por inflação de custos e despesas elevadas com marketing, segundo dados da companhia reportados pelo Wall Street Journal. O fim dos sorvetes Nestlé integra um plano de economia de 3 bilhões de francos suíços até 2027.

Recall abala a confiança e agrava crise na Nestlé

Se a pressão financeira já era suficiente para forçar mudanças, um segundo fronte agravou a situação. A empresa enfrenta um recall da Nestlé em escala global envolvendo fórmulas infantis contaminadas pela toxina cereulide, que afetou produtos em mais de sessenta países, de acordo com informações da empresa reportadas pelo Financial Times.

O impacto financeiro é estimado em centenas de milhões de francos suíços apenas no primeiro trimestre de 2026, e o dano à reputação pode ser ainda mais duradouro.

A Nestlé não está sozinha nessa direção. Unilever e Keurig Dr Pepper também anunciaram a separação de divisões menos lucrativas para concentrar esforços nas operações principais — sinal de que o modelo de grandes conglomerados de alimentos está sendo questionado em toda a indústria.

O mercado reagiu de forma positiva, com as ações subindo em Zurique. Analistas, porém, alertam que a confiança de longo prazo dependerá da capacidade da Nestlé de cumprir as metas de corte de custos — e de retomar o crescimento depois de um dos períodos mais turbulentos de sua história recente.



Fonte: Gazeta do Povo

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