O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta quarta (11) a manutenção da meta de inflação em 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, e contrariou um posicionamento do PT para rever o modelo atual. Isso, porque, o partido do ministro Fernando Haddad, da Fazenda, que o indicou ao cargo, publicou uma resolução recente para “compatibilizar” com outros parâmetros de crescimento do país.
Galípolo disse fazer “coro” com uma declaração de Haddad dada na véspera ao reforçar que o patamar atual está alinhado com o cenário internacional. O presidente da autarquia diz que a a definição do modelo levou em conta comparações com países desenvolvidos e emergentes.
“Comparando metas de outros países, avançados e emergentes, pra ver se a meta que estávamos estabelecendo estava fora do que é pra muitos dos nossos pares. Está em linha com o que a gente observa em outros países. Meta nesse patamar nos deixa muito próximos de outros países, regime de meta contínua”, declarou em um evento do BTG Pactual para empresários.
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A mudança no modelo de meta e cálculo da inflação foi aprovada em 2024 e passa a valer a partir de 2025, sendo definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado por Galípolo, Haddad e a ministra Simone Tebet, do Planejamento e Orçamento.
O presidente do Banco Central seguiu na defesa afirmando que a questão mais relevante não é apenas a meta em si, mas por que o país precisa manter taxas elevadas para buscar a convergência da inflação ao objetivo estabelecido. Atualmente, a Selic está em 15% sob fortes críticas do PT.
“Aquela pergunta, ‘por que temos taxas de juros elevadas quando comparadas com outros países’, acho que é isso coloca metade da pergunta. [A pergunta é] por que, mesmo com taxas elevadas, temos dificuldades para conseguir convergência para meta e [temos] economia tão resiliente para uma taxa de juros tão elevada”, disparou.
No texto alusivo aos 46 anos do partido, o PT afirma que “é necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais”. Haddad reconheceu que há divergências dentro do próprio campo político e disse que o debate é legítimo.
“Vão existir muitas vozes” e não faz sentido “calar um partido, sobretudo democrático como o PT”, declarou, ponderando, no entanto, que quem está no governo precisa considerar variáveis econômicas de forma integrada para evitar “disfuncionalidades”.
Fonte: Gazeta do Povo


