A defesa do perito Eduardo Tagliaferro obteve mais tempo para apresentar documentos do Brasil às autoridades italiana. O adiamento ocorreu nesta quarta-feira (12) e a sessão foi remarcada para o dia 20 de março.
“A medida visa exclusivamente assegurar a observância do devido processo legal, da cooperação jurídica internacional e da ampla defesa, permitindo que todos os documentos relevantes sejam apresentados de forma completa, válida e tecnicamente adequada”, diz a nota, assinada pelos advogados Paulo César Rodrigues de Faria e Filipe Rocha de Oliveira.
Tagliaferro é acusado de violação de sigilo funcional. Após deixar o cargo de assessor especial de enfrentamento à desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele passou a divulgar mensagens que mostram a interação entre os gabinetes do ministro Alexandre de Moraes no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF).
As mensagens chamaram a atenção de jornalistas independentes, e o caso passou a ser chamado de “vaza-toga”. As mensagens são utilizadas pela direita para alegar perseguição política.
Moraes, no entanto, nega qualquer irregularidade. De acordo com nota emitida pelo seu gabinete, todos os procedimentos realizados nos tribunais foram regulares e passaram pelos autos.
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No Supremo, a defesa tentou pedir a suspeição do ministro ao presidente, Edson Fachin. O pedido, no entanto, foi negado. Os advogados apontam violações na condução do processo, como a citação por edital. O mecanismo é permitido no processo penal brasileiro, mas apenas como exceção, quando não se sabe o paradeiro do réu. Neste caso, a defesa alega que é de conhecimento geral que Tagliaferro está na Itália e que, por isso, deveria ser intimado por meio de carta rogatória, instrumento que serve para pedir ao juiz de outro país para que cumpra determinado ato.
A ex-deputada federal Carla Zambelli também está na Itália. Ela foi condenada, no Brasil, a dez anos de prisão, por suposto financiamento a uma invasão no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em setembro de 2025, Tagliaferro prestou depoimento em favor de Zambelli na Câmara dos Deputados: “O que eu tenho comigo são relatórios produzidos, e-mails encaminhados oficialmente ao gabinete do ministro e várias conversas de WhatsApp, onde se vê claramente que Carla Zambelli era um alvo. Havia uma intenção persecutória. Inclusive, em algumas mensagens, se dizia: ‘Vamos pegar ela'”, revelou.
Fonte: Revista Oeste


